MEC DIVULGA NOTAS DO ENEM 2014: REDAÇÃO COM MÉDIA BAIXA
O Ministério da Educação divulgou as notas do ENEM 2014. Veja os resultados relacionados à prova de redação:
- Mais de 6 milhões de estudantes fizeram as provas;
- Aproximadamente 530 mil candidatos tiraram nota zero em redação;
- Queda de 9,7% na nota média de redação em relação ao ENEM do ano anterior;
- Apenas 250 redações tiraram a nota máxima (1000 pontos).
Qual a sua opinião sobre os números apresentados?
Obviamente, o ENEM não é a única forma de avaliação dos estudantes brasileiros. Porém, sem dúvida, é uma boa referência.
Há muitos anos leciono no ensino superior e leio textos, infelizmente, muito ruins. E não estou qualificando como ruins apenas no sentido gramatical. O problema é geral: conteúdo, argumentação, gramática, ortografia, estrutura etc.
Além disso, como já mencionei em outros artigos, os alunos são quase que "robotizados" desde o ensino fundamental para escrever apenas de acordo com fórmulas. Com isso, o estudante aprende a reproduzir; e não a pensar e criar.
O professor emérito da Unicamp, Rogério Cerqueira Leite, em um artigo publicado recentemente na Folha de S.Paulo, criticou de forma dura a qualidade da produção científica nas universidades brasileiras.
O professor apresenta dados publicados pela revista britânica "Nature", especializada em ciência, que comprovam: "nas revistas severas quanto à qualidade de ciência, selecionadas como de excelência pelo periódico, cientistas brasileiros preenchem apenas 1% das publicações."
Portanto, estamos falando de qualidade. E para mexermos na qualidade, o investimento deve ser feito em todos os níveis de ensino, começando pela educação básica.
Como todos sabem, é na base que tudo começa, é na base que a formação intelectual toma corpo. Precisamos de alunos criativos, reflexivos e questionadores para, sempre, buscar novos desafios. Mas quando esse aluno surgir, a escola precisa saber aproveitá-lo; e não dizer que ele deve se adaptar aos padrões solicitados pelas "apostilas".
Penso em alunos criativos e menos reprodutores de ideias alheias.
Quando ensinarmos o aluno a pensar, e não apenas a reproduzir, a argumentação começará a fluir naturalmente, sem padrões "decorebas" e pré-estabelecidos por estruturas pouco interessantes. Ora, se a pessoa sabe argumentar muito bem no dia a dia, quando precisa de algo, por que na hora de escrever tudo muda?
Nesse sentido, para finalizar o texto de hoje, deixo aqui uma reflexão sobre a produção de textos:
Será que ensinar e cobrar apenas uma dissertação "no modelo padrão", em provas oficiais e concursos públicos, é uma boa forma de avaliar a produção intelectual de um estudante? Por conta desse tipo de cobrança, a escola, principalmente no ensino médio, não está deixando os alunos cada vez reprodutores de modelos ultrapassados?
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Fonte: Português de Brasileiro