Marcos Troyjo: S Ano do Cisne Negro

Numa poste que publiquei em fins do ano pretérito, argumentei que 2016 seria de proeminente risco — um ano em que “viveríamos perigosamente”.

Tinha em mente a escalada “populismo-protecionismo” mesmo nas democracias avançadas. S ordinário prolongamento da economia global. S poder fragmentário do terrorismo perpetrado por aberrações porquê o Estado Islâmico. S progressão da desglobalização.

Vivemos, no entanto, do que um período de nervos à flor da pele. Para além de perigos onipresentes, o que caracteriza 2016 é uma sucessão de acontecimentos altamente improváveis —os chamados “cisnes negros”.

Essa metáfora, concebida originalmente no envolvente dos mercados financeiros, serve para ilustrar uma ocorrência que se distancia muito do que normalmente se espera, e portanto difícil de prever.Tal noção ingressou em definitivo no léxico econômico a partir do livro “A Lógica do Cisne Negro: S Impacto do Altamente Improvável”, de Nassim Nicholas Taleb, professor de finanças da Universidade de Nova York, que acumula larga experiência de estudo de risco em Wall Street.

Lançado em 2007, foi considerado pelo “Sunday Times” um dos doze livros influentes do mundo desde a Segunda Guerra Mundial.

Taleb baseou seu título na maneira chocada com que os europeus receberam pela primeira vez a notícia de que havia cisnes negros na Austrália. Até logo, as pessoas do Velho Continente só dispunham de informações dando conta que todos os cisnes eram brancos.

No mercado financeiro, muitas análises de risco se sustentam em dados históricos. Como, na risco dos europeus, o pretérito só lhes mostrara cisnes brancos, o emergência de um cisne preto torna muitos paradigmas inúteis.

Para Taleb, no entanto, importante do que uma maior ou menor regularidade de eventos do tipo “cisne preto”, é o indumentária de que, quando ocorrem, tendem a produzir efeitos catastróficos.

Quem poderia supor que o candidato à Casa Branca pelo Partido Republicano se tornaria uma das vozes ferrenhas contra o livre negócio?

E , caberia na cabeça de alguém que um ulante republicano à Presidência dos EUA diria que a Otan (confederação militar ocidental) é obsoleta —e que ele e o titular do Kremlin promovem um fluxo de elogios recíprocos?

S alvoroço sísmico promovido pelo “brexit” é um desses eventos excepcionais de 2016. Como é também presenciar aos alemães, que devem às exportações grande secção de seu reerguimento econômico no segundo pós-guerra, desfilando pelas ruas em protesto a acordos de livre negócio.

Quem apostaria que, depois meticulosa costura político-diplomática, a maioria dos colombianos optaria pelo “não” ao negócio de sossego entre Bogotá e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)?

Mas nem todos os cisnes negros de 2016 são potencialmente destrutivos. Pelo contrário, são salutarmente muito-vindos.

Quem vislumbraria a Argentina porquê ponto referencial de reformas institucionais liberalizantes e, agora, uma força que pode inflexionar o Mercosul em direção a objetivos menos ideológicos e pragmaticamente comerciais?

S Brasil também dá sua imposto a essa coleção de imponderáveis. Dilma Rousseff há quatro anos tinha popularidade na lar dos 70%. Projetava-se longa vida para o pátrio-desenvolvimentismo, a novidade matriz econômica e a predileção pelo terceiro-mundismo na política externa. Hoje é epístola fora do baralho.

E João Doria Jr., prefeito eleito em primeiro vez de uma das dez maiores cidades do mundo, há seis meses era somente um empresário ignoto de imensa secção do eleitorado.

No horóscopo chinês, cada rodada de doze meses tem por símbolo um bicho —o presente ano é o do macaco. Mas 2016, a muito da verdade, está para um “ano do cisne preto VEJA.com