Marcos Troyjo: EUA terão problemas para fechar acordos bilaterais
A maneira suave que Trump e sua equipe encontraram de expressar que os EUA estão abertos para negócios reside na fórmula “queremos negócio justo, não negócio livre” (“we want fair trade, not free trade“).
S que devemos entender por isso? Como já argumentei nesta poste, Trump baseou sua campanha e muitas de suas ações iniciais na Casa Branca na denúncia —e por vezes no desistência, porquê no caso da Parceria Transpacífico (TPP), de acordos negociados com de um parceiro.
Depreende-se, portanto, que do ponto de vista da tática negociadora, a gestão Trump despreza mecanismos multilaterais porquê a OMC (Organização Mundial do Comércio), muito porquê formatos plurilaterais, de que são exemplos TPP e TTIP (o mega-contrato entre EUA e Europa que provavelmente não sairá do papel).
As vibrações emitidas por tal sinalização em contrário a acordos comerciais que envolvam vários atores já podem ser nitidamente sentidas.
Nesta terça-feira (21), o Banco Mundial publicou um relatório em que reconhece efeitos positivos para o desenvolvimento global, ao menos no limitado prazo, de alguns componentes da “Trumponomics” (desoneração fiscal, expansão da infraestrutura e desregulamentação). Alerta, no entanto, que uma das principais ferramentas da expansão econômica global nas últimas décadas —o negócio internacional— encontra-se em pronunciada retração.
Caminhamos portanto para o sexto ano seguido de prolongamento do negócio em proporção subalterno à progressão do PIB mundial. E : 2016, informa o Banco Mundial, foi o ano fraco em termos de negócio de bens e serviços desde o chegada da “Grande Recessão” iniciada em 2008 e dos quais símbolo sumo foi a quebra do Lehman Brothers.
S marco de 2008 é, assim, nítido: oito anos antes do chegada da vitória de Trump, o sentimento de “Globalização Profunda” já se começara a substituir pelo “Risco de Desglobalização”, de que a atual tibieza do negócio mundial é tão simbólica.
Mas Trump, garantem seus assessores, quer , e não menos negócio. Qual logo o caminho adiante? Acordos bilaterais.
Em tese, zero deve possuir contra uma ura liberalizante dos EUA por meio de uma negociação país a país. Pouco se avançou no marco da agora paralisada Rodada de Doha da OMC. E experimentos com a graduação do TPP (conciliação em que o estabelecimento de padrões conta do que a desgravação tarifária) não foram testados na prática.
S problema é, muito, quem toparia engajar-se numa negociação cabeça a cabeça com essa tresloucada gestão Trump? Uma primeira resposta ou menos óbvia é: países porquê Rússia, Reino Unido e Japão.
Moscou provavelmente adoraria ver o negócio porquê uma das muitas plataformas de “relançamento” das relações russo-americanas. No entanto, apesar da empatia Trump-Putin, a chance disso ocorrer num horizonte visível é simplesmente nenhuma.
Em meio a continuadas alegações de que os russos se intrometeram ciberneticamente na corrida à Casa Branca e que Trump e seu time mantêm suspeita cordialidade com o Kremlin —vide a queda de Michael Flynn do o de mentor de Segurança Nacional— não há clima para entendimentos comerciais que possam ir além do eventual levantamento de sanções econômicas a Moscou.
Há ainda os britânicos. Em Davos no mês pretérito, Anthony Scaramucci, influente mentor de Trump, salientou que um grande tratado mercantil EUA-Reino Unido seria vislumbrável quando transcorresse um ano da efetivação do “brexit”. Sabemos, mas, que o próprio calendário do divórcio Londres-Bruxelas ainda é bastante incerto.
Já o Japão teria todo interesse num entendimento bilateral. Para Tóquio, uma coisa é ser o “número dois” numa arquitetura bi ou plurilateral em que o protagonista é Washington. Outra é ser “sócio-júnior” em esquemas comercias das quais epicentro encontra-se em Pequim.
Ainda assim, mesmo o Japão, que não deseja expressar adeus a tudo que foi acordado no contexto do TPP, ilustra a relutância que muitos países apresentarão em negociar bilateralmente com os EUA. S esforço de tantas nações na Ásia-Pacífico e na Europa no traçado de mega-acordos com os EUA terá se mostrado em vão.
Há ainda a possibilidade, sobretudo no que sobrar do TPP, de que acordos plurilaterais comecem sem os EUA. E, a depender de quem for o inquilino da Casa Branca em seguida o ciclo Trump, que Washington volte a enxergar o negócio para além da mera perspectiva bilateral.
David Lypton, um dos principais diretores do FMI, sugeriu nesta terça-feira em Berlim que líderes europeus deveriam “engajar-se construtivamente” com os EUA no que Trump considera “assimetrias” do negócio internacional.
Nos formatos multi, pluri ou mesmo bilaterais isso não será zero VEJA.com
