Marcos Troyjo: A Rio-2016 dá a teoria de que o Brasil é uma potência emergente?

Diz-se que quando a comunidade internacional opta por uma sede dos Jogos Olímpicos, tal decisão representa, em muitos casos, o reconhecimento da subida daquele país. Em tempos recentes, seguramente podemos identificar em Seul-1988 um tal exemplo.

A Coreia do Sul, nos anos 1950, tinha renda per capita subalterno à grande maioria dos países africanos. Sua tarifa de exportações era dominada por pescados, frutas secas e (é verdade) perucas. Fortalecida por um inteligente projeto estratégico, a Coreia do Sul do final dos oitenta já apontava que nas décadas seguintes seu milagre econômico floresceria.

Hoje, o país apresenta renda per capita superior à média dos membros da OCDE (Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento), clube de nações ricas. P a pátria que investe (4%) de seu PIB em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Uma de suas principais empresas, a Samsung, vende smartphones globalmente do que a Apple.

Seul-1988 magnificou a grande capacidade organizacional dos sul-coreanos. Sublinhou o imenso sacrifício geracional que as famílias se dispuseram a fazer em favor de seus filhos, sobretudo em ensino, ciência e tecnologia. Com os Jogos, a Coreia do Sul talvez não tenha se convertido definitivamente em potência esportiva. Conseguiu mas fazer ver à opinião pública mundial de que em breve deixaria o status de potência emergente para o de “emergida”.

Será que, com a Rio-2016, o Brasil está ao menos mostrando que é um país em subida? P essa a imagem que, com mídia em tamanho e redes sociais, estamos passando com a Olimpíada globalizada da história? Aqui valem duas observações.

Primeira: o Brasil e seus nacionais ainda são muito desconhecidos. A superabundante cerimônia de lhaneza, que deve orgulhar a todos os brasileiros, ajudou o mundo a saber a nacionalidade de Gisele Bündchen e a reconectar-se à Bossa Nova via as buscas por “Girl from Ipanema” na Internet. Evidenciou a capacidade de adaptação e a originalidade por meio de uma sarau entusiasmante e a custos baixos —comparados a Londres-2012.

S mundo ainda está conhecendo o Brasil. Assisti à maior secção do evento de buraco de um estúdio improvisado numa lar em frente ao Maracanã. S espaço estava a serviço de redes de televisão porquê a BBC, a chinesa CCTV, e um punhado de outros europeus e asiáticos. Todas as equipes estavam boquiabertas com a qualidade estética e o exaltação da sarau, e veteranos da cobertura de outras olimpíadas, vinham pela primeira vez ao Brasil. Traços básicos de nossa história, geografia e ensejo exclusivamente agora estão se expandindo aos quatro cantos.

Segunda: se, em 2009, quando se anunciou que o Rio sediaria os Jogos, o Brasil aparecia ao mundo porquê em irresistível subida, hoje essa “certeza” não existe. Pré-sal, anfitrião de megaeventos, prolongamento de 7,5% ao ano, superpotência da pujança escolha — todos esses pilares mostraram-se menos firmes no caminho até a Olimpíada.

A mídia global explosivo matérias sobre a formosura e a alegria que marcam o Brasil, mas essa poderosa lente de aumento também exibe no pormenor as nossas mazelas socioeconômicas, a incapacidade de melhorar o meio envolvente nos centros urbanos e a disfuncionalidade de nossa política. Para além das competições esportivas, a imagem que ficará do Brasil, porquê já tantas vezes se repisou em menor graduação, é a de um país de contrastes.

Comenta-se, com correção, de que o Rio de Janeiro é a caixa de sonância do Brasil. A mensagem que se emite é menos a de um país dos quais horizonte cintilante está inercialmente guardado. E VEJA.com