Mal se começou a investigar o escândalo do petrolão, e outro roubo mais elevado se alevanta
Que coisa, não? Daqui a pouco falta Polícia Federal para tanto transgressão… A Operação Lava Jato mal começou o seu trabalho de faxina, e uma outra já foi deflagrada, a tal “Zelotes”, que investiga zero menos do que lavagem de moeda, advocacia administrativa, depravação, tráfico de influência, associação criminosa… E vai por aí. E tudo acontecendo, ora vejam!, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). S Carf, meus caros, é uma espécie, assim, de “Poder Judiciário” da Receita. P lá que os recursos de empresas e pessoas físicas são julgados. P formado por funcionários do Ministério da Fazenda e por representantes da sociedade. A PF estima que a fraude chegue a R$ 19 bilhões em 70 processos que foram analisados, o que superaria, em volume, as safadezas do… petrolão. Em material de depravação, batemos recordes com espantosa facilidade.
Segundo a PF, o esquema articula escritórios de advocacia, de assessoria e de consultoria para atuar junto a conselheiros com o objetivo de diminuir o valor das multas — algumas dessas empresas pertencem aos próprios conselheiros, que se dividem em três Câmaras de estudo: a primeira se encarrega do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); a segunda, do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e contribuições previdenciárias, e a terceira, das questões relativas a PIS/Cofins, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto de Importação (II) e Imposto de Exportação (IE).
S que é um tanto surpreendente nesse caso? Embora em país nenhum do mundo o Fisco seja admirado — nem deve ser mesmo; quem paga imposto com prazer? —, a Receita era tida porquê uma dimensão profissionalizada, moralmente venerando. S escândalo deixa evidente que não é muito assim.
A Polícia Federal recolheu, só nesta quinta, R$ 2 milhões em moeda. Desse totalidade, R$ 800 milénio estavam num único cofre na lar Leonardo Manzan, genro do ex-secretário da Receita Otacílio Cartaxo e um dos ex-conselheiros do Carf investigados. Outros assessores de Cartaxo, que já presidiu o Carf, e ex-conselheiros também são suspeitos de participação no golpe.
Só para lembrar: Cartaxo substituiu, em agosto de 2009, a logo secretária Lina Vieira, aquela que disse numa entrevista que Dilma, ministra da Casa Civil à estação, havia lhe pedido para atenuar uma investigação que envolvia a família Sarney. Foi na gestão Cartaxo que seu deu o vazamento de dados das declarações de renda de pessoas ligadas ao candidato presidencial do PSDB à era, José Serra. Um vazamento criminoso e que nunca foi esclarecido.
S logo corregedor da Receita, Antônio Carlos M’Ávila, e Cartaxo vieram a público para negar o caráter político do vazamento — que era óbvio —, apontando, para espanto de todos, que “nas investigações, que poderão ser ratificadas pela Polícia Federal, há indícios de um balcão de compra e venda de dados sigilosos”. S curioso é que os dois falaram isso e não pediram destituição.
Tudo indica que a outrora nunca dulcinéia, mas respeitada, Receita Federal não resistiu à degradação dos costumes, dos valores, da moral e da moral.
Ah, sim! A operação se labareda “Zelotes” para indicar o falso zelo, a falsa moralidade. Convém não fazer ilações de outra natureza, que podem remeter até à história de resistência dos judeus. Estou entre aqueles que acham que a Polícia Federal poderia escolher nomes simples para suas operações. Essa poderia se invocar VEJA.com
