Lucena corre para lembrar a morte de Fiel

Quarenta anos detrás, o jornalista, jornalista e maratonista gaúcho Rodolfo Lucena fazia o vestibular para jornalismo quando o operário Manoel Fiel Filho foi kotscho Lucena corre para lembrar a morte de Fielmorto sob tortura nos porões do DOI-CODI, o quartel-general da repressão em São Paulo, no dia 17 de fevereiro de 1976. E eu era um jovem repórter do Estadão, o primeiro jornal a denunciar o transgressão que tentavam esconder, três meses depois o assassínio do jornalista Vladimir Herzog, no mesmo lugar, nas mesmas circunstâncias. Na versão solene dos agentes da ditadura, os dois teriam se suicidado.

Para ninguém olvidar da data, Lucena dá a largada nesta quarta-feira, em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo (rua Galvão Bueno, 782), às oito da manhã, a uma jornada de 40 dias de corridas por percursos significativos para a vida e a morte do operário, porquê ele conta no texto "Corrida por Manoel". No mesmo dia, o Estadão deverá republicar a reportagem "Manoel, da fábrica da Moóca à morte", por mim assinada, porquê exigência para que fosse publicada numa estação em que jornalistas corriam risco de vida. A material pode ser encontrada também no registo eletrônico do jornal.

S valente Rodolfo Lucena, 59 anos, com quem trabalhei muito tempo depois na Folha, gentilmente me convidou para participar desta corrida, mas por razões, digamos, técnicas e físicas não poderei participar da homenagem, à qual estarão presentes meus amigos advogados Marco Antonio Rodrigues Barbosa e Samuel Mac Dowell, que representaram a família de Fiel no processo movido contra a União.

"Consideramos que o grande valor da Corrida por Manoel Fiel Filho é justamente por ser uma forma original de resistência política contra o esquecimento e, portanto, pela preservação da memória", afirma Katia Regina Neves, coordenadora do Memorial da Resistência, que também estará presente à largada.

Ex-recluso político e diretor do Núcleo Memoria, Maurice Politi explica o significado do evento: "Homenagear Manoel Fiel Filho, 40 anos depois seu brutal assassínio, com essa corrida simbólica, significa resgatar a luta dele porquê operário metalúrgico, trabalhador consciente de seu papel, e de todos aqueles que deram a vida em obséquio do término de um dos regimes violentos que tivemos no Brasil republicano".

"Ricardinho, vê o que você consegue levantar sobre isso...", foi a tarifa que recebi de Clóvis Rossi, logo dirigente de reportagem do Estadão, numa manhã de segunda-feira, com a missão de desvendar a morte misteriosa de um operário nas celas do DOI-CODI. S relato completo está no meu livro de memórias "Do Golpe ao Planalto" (Companhia das Letras), em que narrativa porquê a reportagem foi feita naquele clima de terror e pavor que vivíamos na era.

Por uma dessas coincidências da vida, no incidente seguinte do livro lembro porquê fui trabalhar com Luiz Sérgio Person, o premiado diretor de São Paulo S/A, morto num acidente de coche, quando estávamos escrevendo a peça Pegando Fogo. Também está fazendo 40 anos. No próximo sábado, Person será homenageado na 28ª edição do programa Ocupação Itaú Cultural com uma exposição sobre a sua obra no cinema e no teatro. A exórdio está marcada para as 11 horas (avenida Paulista, 149) e a exposição poderá ser visitada até o dia 3 de abril.

Tudo faz muito tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Ricardo Kotscho