Lotação no transporte público desafia quem foge da Covid-19

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Pesquisa avalia que chance de contrair a infecção é maior para usuários do transporte coletivo; manter o distanciamento é missão quase impossível

Desde o início da pandemia, a cozinheira Margarida Maria, 52, tem buscado respeitar as orientações das autoridades sanitárias para prevenir a Covid-19: só sai de mansão quando necessário e está sempre com a máscara no rosto e o álcool em gel na bolsa. Mas a recomendação do distanciamento social fica quase impossível de ser cumprida no momento em que ela vai para o trabalho, em Belo Horizonte, e volta para lar, na lema com Sabará, na região metropolitana. E são quatro ônibus por dia: o 5503 (Goiânia A) e o SC04 (Santa Moradia/Savassi/Rodoviária), duas vezes cada. Com o progressão da flexibilização, os veículos andam lotados. 

“Os dois (coletivos) têm percorrido cheios, e o circundar está demorando até uma hora para passar. Com isso, só vai juntando gente no ponto e no ônibus, porque as pessoas saem cansadas do trabalho e querem ir embora. As empresas diminuíram o número de viagens e não estão aumentando porquê deveriam, agora que está quase tudo ingénuo. Eu tento me prevenir, mas o vírus está aí e é perigoso, fico preocupada de transmitir para o meu marido, minha filha e minha neta”, conta Margarida, que ainda vê gente sem máscara dentro dos coletivos. “Não adianta eu me cuidar se os outros não se cuidarem”, lamenta.

A cozinheira Margarida Maria teme se infectar pela Covid-19 no trajeto de morada para o trabalho, mesmo tomando os cuidados preventivos. FOTO: Flávio Tavares

O caso de Margarida é regra, e não exceção. Conforme uma pesquisa divulgada na última semana pelo Tarifa Zero em parceria com a Assessoria Jurídica Universitária Popular da Faculdade de Recta e Ciências da UFMG, 93% dos usuários dos ônibus da capital andaram em veículos cheios desde março. Para mais da metade (55%), os coletivos estão sempre lotados.

Quem depende dos ônibus metropolitanos também tem dificuldades para se proteger contra o coronavírus. A doméstica Elizabeth Ferreira de Assis, 50, mora em Santa Luzia, na região metropolitana, e trabalha em BH. Segundo ela, os intervalos entre os coletivos da risca 410C (São Benedito/BH) estão longos, e os veículos, cheios e sujos. 

“Não tem distanciamento no ônibus nem nas filas, e, agora, fileira para passar por uma catraca (do Move Metropolitano) que nem premência tem. Antes, tinha funcionário para instruir (o distanciamento), agora não tem mais. Tomo todos os cuidados, mas fico receosa”, explica.

No metrô, os usuários também reclamam. Para a técnica de enfermagem Marilene Pereira, 52, os intervalos entre as viagens, de 15 a 22 minutos, não são o problema. A questão é o número proeminente de passageiros. “Eu acho que deveria possuir uma quantidade exata de pessoas liberadas na roleta, um controle de ingressão e saída”, ofídio. Ela pega o metrô no término da tarde, antes de encarar o plantão noturno no trabalho, e no início da manhã, na volta para a mansão. “Todo dia é a mesma coisa, tudo lotado”, diz.

Motoristas também são expostos

 Os trabalhadores do transporte coletivo também temem os riscos de infecção pelo novo coronavírus. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Rodoviários de BH e Região (STTRBH), Paulo César da Silva, o contato dos profissionais com quantia ao longo do dia é uma enorme preocupação. 

“Temos fiscalizado o fornecimento de equipamentos de proteção individual. Quando a empresa não cumpre, pedimos para o profissional denunciar. Mesmo com todos os cuidados, o risco é grande”, diz. 

Neste mês, a Prefeitura de Belo Horizonte divulgou um questionário sorológico para Covid-19 que revela que, entre os serviços essenciais, os trabalhadores do transporte público foram o segundo mais afetados, mais que os de centros de saúde, supermercados, padarias e drogarias. Entre os 722 testados, 5,26% tinham anticorpos contra o vírus. Somente entre trabalhadores das UPAs, a prevalência de anticorpos foi maior (6%).

Motorista de uma risco municipal de BH, Renato Evangelista, 46, já teve suspeita da doença e ficou ausente duas vezes. Ele teme ser infectado por motivo da mãe, que é idosa, e dos filhos. Segundo ele, muitos usuários não gostam de passar para a secção traseira do veículo, o que provoca aglomerações na frente. “Com a flexibilização, os ônibus estão mais cheios, e o pessoal mais largado. Não adianta colocar o pessoal na rua, se não der meio de transporte, tem que aumentar o número de viagens”, pontua. 

Dica é falar pouco e evitar 'hora do pico'

A lotação do transporte coletivo pode provocar sobranceiro risco de contágio por coronavírus, de contrato com o médico infectologista Leandro Curi. Segundo ele, a aglomeração dentro dos ônibus pode ser pior do que em outros ambientes, devido à baixa circulação de ar.

“Nos veículos, a troca de ar é ruim. As pessoas pegam em cadeiras e barras pouco higienizadas, entra um passageiro, sai outro, e nem todo mundo usa máscara adequadamente. A proximidade física também é um fator muito perigoso, extremamente sensível no ônibus. Os usuários ficam encostados uns nos outros, não dá para evitar. É um dos riscos de contágio mais altos que existem”, afirma.

O médico ainda lista algumas recomendações para minimizar o risco de infecção nos coletivos, porquê evitar falar ao telefone e conversar, usar álcool em gel e, se provável, evitar o horário de pico. Quem tiver sintomas gripais não deve transpor de mansão. “No ônibus, mesmo fazendo isso tudo, a gente não zera o risco, só minimiza. O risco está na rotina, infelizmente”, diz.


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