Lea T., te amo em número, gênero e grau*

Sem essa de degustação ou vida gourmet. Deixo ai, porém, um tira-gosto do meu livro novo, coisa de macho-jurubeba, pô!, já nas boas casas do ramo. E dá-lhe jabaculê explícito. A causa é nobre e, como diz meu amigo Juca Chaves, ajude o pobre escritor a comer o seu caviar.
Agora falando sério…
Querida Lea T, viraste mulher e fui o último que soube. Isso não se faz, mas como não te perdoar, se o amor tudo pode?
Perdoadíssima estás.
Mesmo eu tendo que rever esta tua foto aí acima com o maldito fotógrafo Terry Richardson. Mesmo assim. Até o hype está perdoado. Por tua casa, tua nobre causa.
Viraste mulher e fui o derradeiro a tomar ciência…
Já eras a bonita brasileira mesmo sem operação alguma. O arquivo vivíssimo deste cronista prova o que disse quando ainda, anatomicamente, eras homem. Não importa o quadradinho que tu preenchas na ficha do hotel: não fere o meu lado masculino, como canta o Pepeu.
Lea, eu poderia ter ido contigo a Bangcoc e segurado na tua mão na hora do epistemológico dos cortes. Conheço a Tailândia e poderíamos passear depois. Nós nos divertiríamos como nunca.
Por escrito é a segunda vez que rogo a uma deusa o privilégio de tal sacramento apostólico romano.
Havia pedido, em público, apenas a mão da Luiza Brunet, depois de uma epifania na Flip, em Paraty, onde novamente me encontro agora.
Sei que tens um mundo a teus pés, os modernos de Milão e Londres etc.
Mesmo assim insisto: casa comigo!
Não tenho lá essas posses, mas te garanto casa, comida, roupa lavada e cafunés. Não sou lá grandes coisas, mas junto a ti viro o orgulhoso dos machos.
Te beijo na boca em pleno Ba-Vi, nas arquibancadas do Barradão ou de Pituaçu. Depois vamos jantar com o Toninho Cerezo, o sogro dos sonhos, no Rio Vermelho ou derredores.
Saudemos a escritora Simone de Beauvoir, Leazinha. Não se nasce mulher, torna-se mulher, como lembraram, em lindo texto sobre ti, as meninas Bruna Narcizo e Thaís Botelho, na revista IstoÉ Gente – saiba que acompanho tudo sobre a sua vida e obra.
Tu te tornaste a bela delas, menina Lea. Este corpo agora te pertence.
Com respeito, admiração e o amor possível, teu noivo platônico, Francisco.
*Esta crônica faz parte d´O Livro das Mulheres Extraordinárias (ed. Três Estrelas).
Fonte: Xico Sá