Irmandade Muçulmana rejeita cronograma de líder interino para eleições no Egito
iG São Paulo
Ex-ministro das Finanças Beblawi é nomeado premiê, enquanto ElBaradei é indicado para ocupar cargo de viceA Irmandade Muçulmana do Egito rejeitou um cronograma para novas eleições apresentado pelo presidente interino do país, Adly Mansour, dizendo que ele é ilegítimo. O movimento de protesto Tamarod, que liderou as manifestações que culminaram na deposição de Mohammed Morsi no dia 3, disse que não foi consultado sobre o plano e pediu para se reunir com Mansour.
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Enquanto isso, o ex-ministro das Finanças Hazem el-Beblawi foi nomeado primeiro-ministro, enquanto o líder da oposição Mohamed ElBaradei foi indicado para ocupar o cargo de vice. Não está claro se Beblawi, um economista liberal, pode conseguir o apoio para efetivamente se tornar premiê.
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A própria candidatura de ElBaradei para primeiro-ministro foi considerada no início desta semana, mas foi rejeitada pelo partido salafista linha dura Nour. Na segunda, o partido anunciou sua retirada das negociações do governo de transição depois de confrontos terem deixado 54 mortos no Cairo, incluindo três policiais, mas novas informações sugerem que o Nour voltou a participar da administração interina.
Segundo a agência Reuters, o partido disse que apoiará a nomeação de Beblawi, mas ainda estuda a indicação de ElBaradei, ex-chefe da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e Prêmio Nobel em 2005. Posteriormente, o general Abdel-Fattah el-Sissi, chefe do Exército e ministro da Defesa, disse que não aceitará "manobras" políticas, em um alerta velado ao Nour. "O futuro da nação é muito importante e sagrado por manobras ou obstáculos, quaisquer que sejam as justificativas", afirmou.
Veja as imagens da tensão no país desde a queda de Morsi:

Voluntários usando coletes amarelos protegem mulheres na praça Tahrir (8/7)
Foto: AP

Egípcio chora do lado de fora de necrotério depois de carregar o corpo de seu irmão morto perto da Guarda Republicana no Cairo (8/7)
Foto: AP

Homem mostra camiseta ensanguentada de partidário do presidente deposto Mohammed Morsi do lado de fora de hospital no Cairo (8/7)
Foto: AP

Médico egípcio partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em hospital em Nassr City, Cairo (8/7)
Foto: AP

Corpo de partidário de presidente deposto Mohammed Morsi é visto em ambulância no Cairo, Egito (8/7)
Foto: AP

Homem chora em hospital improvisado depois de soldados e policiais abrirem fogo contra partidários de líder deposto Morsi (8/7)
Foto: AP

Oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi se manifestam na Praça Tahir, no Cairo, Egito (7/7)
Foto: AP

Oponentes de Mohammed Morsi se reunem na Praça Tahir, no Cairo, no domingo (7/7)
Foto: AP

Egípcias choram durante enterro de oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi, que foram mortos durante confrontos no Cairo (6/7)
Foto: AP

Partidária do presidente deposto Mohammed Morsi segura no Cairo retrato em que se leem: 'legitimidade é uma linha vermelha' e 'saia Sissi, Morsi é meu presidente' (6/7)
Foto: AP

Manifestantes contrários ao presidente deposto Mohammed Morsi arremessam pedras durante confrontos com membros da Irmandade e partidários de Morsi no Cairo (5/7)
Foto: Reuters

Partidários e oponentes do presidente deposto Mohammed Morsi entram em confronto na ponte 6 de Outubro, perto de Maspero, Cairo (5/7)
Foto: AP

Manifestantes islâmicos, um deles com o retrato do presidente deposto Mohammed Morsi, mostram mãos sujas de sangue após disparos do Exército no Cairo (5/7)
Foto: AP

Manifestantes que apoiam o presidente deposto Mohammed Morsi correm em meio ao gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança no Cairo (4/7)
Foto: Reuters

Partidários do presidente deposto Mohammed Morsi participam de manifestação perto da Universidade do Cairo, Egito (4/7)
Foto: AP

Partidária segura pôster do presidente deposto Mohammed Morsi no qual se lê 'Sissi traidor', em referência ao chefe do Exército, em marcha em Nasser (4/7)
Foto: AP

Partidários do presidente deposto Mohammed Morsi gritam perto da praça da mesquita de Raba El-Adwyia, no Cairo (4/7)
Foto: Reuters

Membros da Irmandade Muçulmana e partidários de presidente deposto Mohammed Morsi protestam durante cerimônia de posse de líder interino no Cairo (4/7)
Foto: Reuters
'Massacre'
O Nour descreveu a morte de ao menos 51 manifestantes como um "massacre". A carnifica do lado de fora do prédio da Guarda Republicana na capital egípcia - onde Morsi ficou sob custódia logo depois de sua deposição - marca o dia com maior número de mortos desde o início de protestos em massa que levaram à substituição do governo democraticamente eleito por uma administração civil interina.
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A Irmandade Muçulmana - o principal movimento islâmico do Egito, ao qual pertence Morsi - diz que seus membros foram atingidos por disparos enquanto faziam preces matinais em uma manifestação pacífica. O Exército afirma ter respondido a um ataque de atiradores.
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O movimento islâmico acusa o Exército de ter realizado um golpe contra a democracia, enquanto seus oponentes alegam que Morsi manchou sua vitória eleitoral e traiu o espírito democrático da revolução da Primavera Árabe ao aumentar a presença da Irmandade no Estado e fracassar em lidar com os problemas econômicos do país.
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O decreto do presidente interino, emitido no fim da noite de segunda, estabelece planos para montar um painel para emendar dentro de 15 dias a Constituição de raiz islâmica que foi suspensa no dia 3. As mudanças seriam votadas em referendo - a ser organizado dentro de quatro meses -, que abriria caminho para eleições parlamentares, possivelmente no início de 2014. Após a realização de eleições legislativas, uma votação seria convocada para um novo presidente.
Essam el-Erian, vice-presidente do braço político da Irmandade, o Partido Justiça e Liberdade, disse que a declaração era um "decreto constitucional de um homem nomeado por golpistas" que "leva o país de volta ao ponto zero".
*Com BBC e AP
Fonte: Notícias do Último Segundo: o que acontece no Brasil e no Mundo