Humanizar pode ser contagiante

Ir ao médico, ao dentista, fazer um exame clínico ou adentrar um hospital pode ser uma tortura para muitos, não importa a idade. As cores assépticas das paredes, o piso frio, o cheiro de limpeza misturado ao de determinados medicamentos, sem falar do silêncio, ora quebrado por conversas pouco positivas. A predominância deste cenário está, aos poucos, ganhando novos elementos com o propósito de amenizar a dor, o sofrimento ou simplesmente o medo.

Na clínica odontológica da Dra. Diana Feitosa, a sala de espera e o próprio consultório tornaram-se um grande atrativo para as crianças. São bonecas, super-heróis, livros, filmes, música, enfim, um arsenal de entretenimento para desviar a ansiedade e a sensação de medo diante dos procedimentos.

"O lúdico vem sendo usado com frequência por vários profissionais, e os resultados são fascinantes", explica Dra. Diana, uma das autoras do artigo "Como o Ambiente pode Influenciar de Modo Positivo no Atendimento Odontopediátrico", publicado no livro "Conduta Clínica e Psicológica na Odontopediatria" (Ed. Santos, de Maria Salete Nahás Pires Corrêa).

Para tornar o ambiente adequado, a odontóloga instalou um escovódromo infantil, recorrendo ainda a instrumentos coloridos, como óculos de proteção e espelhos que estimulam e distraem os pequenos. "De modo particular, brinquedos, vídeos e games podem e devem ser usados como reforço positivo no condicionamento da criança nos consultórios odontológicos", ressalta.

Quem gosta da "brincadeira de médico" são as irmãs Maria Clara da Silva Celedônio, 4 anos, e Maria Eduarda da Silva Celedônio, 8. Entretanto, com a velha não foi sempre assim. Sua mãe, a empresária Weruska Wasny Celedônio, relata que a menina ficou traumatizada por conta de um procedimento odontológico anterior.

"Foi então que conhecemos a Dra. Diana Feitosa, que além de prestar atendimento especializado, demonstra toda uma preocupação em acolher bem os pequenos pacientes, a começar pela recepção da clínica. Hoje, tanto a minha filha velha quanto a nova, ficam contando os dias quando sabem que se aproxima uma consulta".

Para Dra. Diana, a brinquedoteca na recepção é sempre bem-vinda. Vitrines também são usadas para explicar aos pacientes como produtos encontrados no comércio podem ser aplicados de forma segura e eficaz no dia a dia. "Dessa forma, o número de pessoas com medo de enfrentar o atendimento odontológico tem reduzido muito", diz.

Experiência

Apesar de ainda ser pouco frequente, é possível sim encontrar outras experiências humanizadas, explica o psicólogo e psicanalista Daniel Franco. "Humanizar significa, na prática, lembrar que para além da doença, do diagnóstico, das técnicas, dos procedimentos e protocolos, existe envolvido dentro do tratamento um doente, ou melhor, um sujeito, que deve ser valorizado, privilegiado", compara.

Esse sujeito, segundo o psicólogo, possui uma história prévia à doença e ao tratamento ora conduzido. São histórias carregadas de fantasias, medos, crenças, distorções, ideais, limitações, hábitos e costumes estabelecidos, além de suas experiências de vida que devem ser respeitadas.

Cristina Pioner
Repórter

Fonte: Vida