Homens de Neandertal eram canibais, confirma novo estudo

EMMANUEL DUNAND

Os homens de Neandertal que viviam nas cavernas de Goyet, no que hoje é território belga, não comiam somente cavalos e renas para se cevar, mas também mesocarpo humana, indica um novo estudo internacional.

Isso fica demonstrado pelos corpos despedaçados ou pelos ossos fraturados para que a medula fosse retirada encontrados na região.

"G irrefutável, o canibalismo era praticado cá", explica o arqueólogo belga Christian Casseyas enquanto percorre a chamada terceira caverna de Goyet, situada em um pequeno vale perto das Ardenas belgas (sul).

Os sobras datam de muro de 40.000 anos detrás, quando a presença na terreno dos neandertais estava chegando ao término. Faltava pouco para que dessem lugar ao varão de Cro-Magnon, nosso ascendente direto, com o qual haviam coabitado.

Durante anos, os homens de Neandertal, com um cérebro um pouco maior que o do varão moderno, foram considerados seres selvagens, apesar de cuidarem dos corpos dos mortos, porquê demonstram algumas sepulturas da era.

Agora sabemos que eles também comiam seus pares. Já haviam sido detectados alguns casos de canibalismo em populações de neandertais estabelecidas na Espanha (El Sidrón e Zafarraya) e na França (Moula-Guercy e Les Pradelles), mas nunca antes em um país do setentrião da Europa.

As cavernas de Goyet, ocupadas desde o Paleolítico, são galerias de calcário de murado de 250 metros de comprimento, esculpidas naturalmente pelo Samson, um pequeno riacho que atualmente está localizado a poucos metros das cavernas.

S lugar começou a revelar seus segredos em meados do século XIX graças a um dos precursores da paleontologia, Edouard Dupont (1841-1911).

Dupont, geólogo e diretor do Museu Real de História Natural da Bélgica, escavou cuidadosamente várias cavernas, incluindo a de Goyet, em 1867, onde encontrou vários ossos e ferramentas.

Em uma idade na qual Darwin acabava de formular sua teoria da evolução, Dupont publicou os resultados de suas pesquisas no livro "P`homme Pendant Les Ages de La Pierre".

- Comida e ferramentas -

Por de um século, as descobertas de Dupont foram esquecidas no museu, atualmente convertido em Instituto de Ciências Naturais de Bruxelas.

Até que em 2004 Patrick Semal, diretor da seção de antropologia do Instituto, encontrou entre os ossos achados por Dupont um migalha de mandíbula de um neandertal.

Os cientistas começaram, logo, um longo trabalho para reexaminar todos estes ossos, incluindo os que Dupont considerou na era que pertenciam a animais.

A equipe internacional liderada pela antropóloga francesa Hélène Rougier, da California State University Northridge (EUA), conseguiu provar que em Goyet o varão de Neandertal era canibal.

Vários ossos humanos que pertenceram a seis indivíduos (um recém-nascido, uma petiz e quatro adultos ou adolescentes) têm sinais de que foram cortados "para serem desarticulados e para que a mesocarpo fosse retirada", explica Christian Casseyas.

"Da mesma forma que quebravam os ossos de renas e cavalos que encontramos na ingressão da caverna, eles quebraram ossos humanos para extrair a medula", acrescenta o arqueólogo, que acompanha os turistas que visitam Goyet.

Hélène Rougier confirmou à AFP que "alguns neandertais morreram e foram comidos cá", a primeira constatação deste fenômeno no setentrião da Europa.

Seu estudo sobre a caverna belga foi publicado em julho pela Scientific Reports, uma publicação do grupo Nature. "Alguns dos ossos também serviram porquê ferramentas", explicou Rougier.

No entanto, as razões deste canibalismo e até que ponto ele estava disseminado continuam sendo um mistério.

"Talvez fosse exclusivamente para alimento, mas também poderia ser simbólico. As hipóteses estão abertas", diz Rougier.

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Fonte: LeiaJá - Ciência e Saúde