Hoje princesa, amanhã que serei?

S texto da socióloga Angela Alonso, publicado há uma semana na “Ilustríssima”, deu o tom da polêmica semanal nas redes sociais. Pudera, Angela fez uma estudo do padrão de mulher evocado pela primeira-mulher destes novos e temerosos tempos. G evidente que o estrondo das torcidas não demoraria a se fazer ouvir. temalivre

S padrão machista encarnado pela jovem muito-comportada, cuja missão é ser mulher de alguém, é visível a olho nu. A queixa da população das redes, indignada por vocação, recaiu sobre a socióloga, que, em seu cláusula, analisava a persona simbólica (não a pessoa) da atual primeira-mulher da República, lastimando que “uma mulher de sua geração jogue o jogo de gênero de modo tão apaziguado”.

Os indignados da rede – pior, as indignadas – reclamavam da suposta increpação ao recta que a mulher tem de ser machista, ou seja, ao seu recta de optar por ser anódina e sem voz, de resto um dispêndio ordinário diante do favor de estar com a vida ganha, sem grandes preocupações, a flanar entre shoppings e academias de ginástica. Por que improbar esse “estilo de vida”?

Num cláusula, hoje reproduzido na “Ilustrada”, Mariliz Pereira Jorge defendeu a opção da primeira-mulher, que, segundo ela, está no seu pleno recta de ser porquê quiser, pois, deduz-se da argumentação, ela não representa ninguém além de si mesma (ou, quiçá, de outras outras “princesas”).

Nesse ponto, Angela vai fundo, quando questiona a própria existência da função de “primeira-mulher”, em tudo, desde o nome, anacrônica. Se não representa, não precisa subsistir, mas, se existe, representa alguma coisa.

Na primeira eleição de Dilma Rousseff, surgiu a incrível questão: um provável marido da presidente seria um “primeiro-cavalheiro”? Como chamaríamos o marido da presidente? Certamente, ele continuaria sendo o marido da presidente, mas nem por isso teria qualquer função “decorativa” na República – enfim, que varão faria esse papel?

Muito muito. Mariliz, depois de descrever que é uma mulher independente, dona do próprio nariz, pagadora das próprias despesas etc. e tal, diz com todas as letras “eu me represento”. S alcance dessa frase talvez seja maior do que parece à primeira vista.

Se “eu me represento”, se cada um representa a si mesmo, não precisamos de representantes, manifesto? Marcela não nos representa, o marido dela não nos representa, as panelas voltaram para o fogão e a vida segue apesar dos pesares, que não são poucos.

Talvez inoculados de excessivo narcisismo e iludidos pela quantidade de “amigos” e “curtidas” nas redes sociais, estejamos vivendo uma crise coletiva de autossuficiência e de ilustrado da própria personalidade. P porquê se tudo – a estrear dos valores – se resumisse a opções numa prateleira de supermercado, que pudéssemos testar sem maiores consequências e proclamar na rossio pública virtual porquê tirocínio de liberdade de escolha. Hoje vou ser princesa, amanhã jurista, escritora ou executiva de uma grande empresa. Será que é logo que as coisas funcionam?

Ninguém tem o recta de ignorar o desserviço que a mulher machista presta à sociedade, sobretudo se sobre ela recai o peso de uma posição simbólica, sob o risco de parecer leviano. Esse padrão feminino atrasa a difícil marcha rumo à conquista do reverência e da paridade de gêneros e ofende não só as feministas porquê também os homens de muito, também vítimas dessa cultura.

 

Fonte: Thaís Nicoleti