Grupo de teatro só de mulheres fala sobre gênero usando peças de Shakespeare

S nome de William Shakespeare é sinônimo de atemporalidade. Nossa curiosidade sobre o próprio Shakespeare perde somente para o fascínio que nos provocam as palavras ousadas que ele nos legou.

Em Ao Farol, de Virginia Woolf, Sr. Ramsay, sempre preocupado com a permanência de seu legado, reflete que a pedra que ele chuta com seu pé vai viver por tempo que Shakespeare.

Claro que não se quer manifestar com isso que os temas de Shakespeare tenham vida curta; pelo contrário, Ramsay teme que até mesmo Shakespeare, o jornalista atemporal que o mundo já conheceu, acabe sendo esquecido um dia.

A eloquência e o humor inteligente do poeta inglês iluminam verdades universais e ternas sobre o que significa ser humano. Os escritores frequentemente utilizam seus escritos porquê subvenção para gerar atualizações modernas, algumas muito-sucedidas que outras, mas todas para o desprazer dos puristas shakespearianos.

Quando veio à tona que o Festival Shakespeare do Oregon pediu que dramaturgos vertessem as peças do poeta para o inglês moderno, um colunista do New York Times, James Shapiro, reagiu com desprazer. “Shakespeare tomou a maioria de suas tramas emprestada de outros autores e escreveu para um teatro que só exigia um ou dois acessórios, cenário nenhum e nenhuma iluminação sintético”, ele escreveu.

“A única coisa shakespeariana nas peças de Shakespeare é justamente a linguagem”.

taming of the shrew
Pôster de A Megera Domada, de Shakespeare


Então porquê podemos encarar as peças problemáticas de Shakespeare, complexas porque serem imbuídas de preconceitos e papéis de gênero que eram menos questionados no tempo dele?

Uma solução adotada pela companhia teatral The Queen’s Company, de Nova York, consiste em montar produções de Shakespeare com elenco inteiramente feminino, invertendo a opção histórica de apresentar as peças somente com atores homens. Rebecca Patterson, que já dirigiu de 20 peças com a companhia, incluindo Como Gostais, Noite de Reis e Muito Barulho por Nada, disse ao Huffington Post.

“Eu estava farta de ver um palco pleno de homens brancos sempre que eu ia ver uma peça de teatro clássica, logo resolvi mudar isso”.

Muitas das peças que ela já dirigiu com a companhia tratam diretamente de questões de gênero – Noite de Reis envolve uma mulher que se disfarça de varão --, mas não é o caso de todas. S objetivo da diretora não é necessariamente marcar uma posição política em relação ao gênero, mas imbuir as peças de um ar novo e dissemelhante das outras versões modernas.

“A mulher contemporânea é semelhante ao varão renascentista: poderoso e íntima, com vida interno expressiva e alcançável”, disse Patterson.

“Acho que encenar a peça só com mulheres não muda o sentido do texto. S que faz é libertar a peça da política de gênero simplista, para reprofundar em sua humanidade universal profunda.”


Lida literalmente, a peça é um glosa sobre o lugar subalterno ocupado pela mulher. Mas uma tradução leniente seria que o texto é um olhar multíplice sobre porquê o controle acaba com o paixão romântico – uma história cautelar para misóginos em potencial.



Mesmo assim, é difícil ignorar as implicações políticas da produção recente de Patterson, A Megera Domada. Vista porquê uma das peças problemáticas de Shakespeare, ela acompanha os pretendentes que cortejam Catharina, uma mulher “brava, teimosa e cabeçuda sem medida”, e sua mana, vista porquê meiga e bela.

Se você não leu a peça (ou, ainda pior, não assistiu ao filme dos anos 1990 que atualiza a história, 10 Coisas que Eu Odeio em Você), conheça o resuminho: Baptista, o pai das meninas, decide que sua filha jovem e muito cortejada, Bianca, só poderá se matrimoniar depois que Katharina o fizer. Então os pretendentes de Bianca procuram um pretendente para Katharina, prometendo a ele um dote polpudo. G quando Petrúquio entra em cena, inicialmente interessado em Katharina exclusivamente pelo numerário.

Ele acaba gostando dela, achando a língua ferina dela uma conquista emocionante – mas primeiro ele a manipula e a faz passar inópia. São mormente difíceis de encarar as cenas em que Petrúquio força Katharina a invocar o Sol de Lua e o solilóquio final, em que Katharina se ajoelha diante do marido, oferecendo colocar sua mão debaixo do pé dele.

Lida literalmente, a peça é um glosa sobre o lugar subalterno ocupado pela mulher. Mas uma tradução leniente seria que o texto é um olhar multíplice sobre porquê o controle acaba com o paixão romântico – uma história cautelar para candidatos a misóginos. De uma maneira ou outra, é impossível saber quais eram as intenções do poeta, e por isso a peça é discutida acaloradamente por feministas.

A tradução feita por Patterson faz uma imposto importante para as muitas maneiras em que analisamos A Megera Domada. Nela, Katharina fala em tom de flerte de vez em quando, mas, na maior secção do tempo, é calma, autoconfiante e tranquila, destacando o contraditório das críticas negativas.

Quando Hortênsio diz que Katharina é “intoleravelmente brava, teimosa e cabeçuda sem medida, a tal ponto que, embora meus posses fossem menores, não a desposaria por uma mina de ouro”, já é uma colocação risivelmente agressiva. Mas, quando a descrição é aplicada a uma mulher que faz pouco senão tutelar-se com humor inteligente, vira calúnia pura.

Uma coisa que ajuda é que o papel de Bianca é representado por uma boneca inflável e muda. Essa e outras variações criativas de Patterson fazem de sua “Megera Domada” uma versão inteligente, atual e divertida, que inclui música contemporânea que complementa a linguagem original de Shakespeare, que a diretora retém, na maior secção.

“Gosto de usar música contemporânea em minhas produções clássicas porque isso cria uma ponte entre nosso tempo e o de Shakespeare”, diz Patterson.

“Escolho canções que ilustram alguma coisa sobre a história que é contada. Shakespeare tratou de temas humanos e muito atemporais, os mesmos sobre os quais vamos trovar até o final dos tempos.”

Com muitos dos estereótipos tensos expostos pela peça tendo sido eliminados ou logo complicados por canções e novas formas de apresentação, o testemunha pode ter uma visão clara dos temas profundos em jogo.

“Considerando a estação em que viveu, Shakespeare pôde iluminar a verdade impalatável de nossos maus comportamentos –mas não estava evidente porquê isso podia ser mudado”, escreveu Patterson em suas anotações de direção.

“Shakespeare me ensinou muito sobre o paixão. P minha esperança que esta produção ligeiro as lições dele um pouco adiante do que ele pôde, iluminando um caminho a ser seguido rumo a alguma coisa melhor.”

Este cláusula foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.




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Fonte: HuffPost Brasil