“Grand Central” usa romance para discutir energia nuclear na França
Luísa Pécora
Tahar Rahim e Léa Seydoux estrelam longa que é destaque da Mostra Internacional de Cinema de São PauloUma ameaça invisível paira sob os personagens de "Grand Central", filme dirigido pela francesa Rebecca Zlotowski que é um dos destaques da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, com última sessão nesta sexta-feira (25).
Exibido na mostra "Um Certo Olhar" do Festival de Cannes, o longa conta com a bem-vinda presença de Tahar Rahim, um dos grandes jovens talentos do cinema francês que chamou a atenção no ótimo "O Profeta" (2009).
Saiba tudo sobre a Mostra de Cinema de São Paulo

Imagem do filme 'Grand Central'
Foto: Divulgação

Imagem do filme 'Grand Central'
Foto: Divulgação

Imagem do filme 'Grand Central'
Foto: Divulgação

Imagem do filme 'Grand Central'
Foto: Divulgação
Em mais uma boa atuação, Rahim é Gary, um jovem francês de ascendência africana que parece esquecido pela sociedade. "Ninguém nunca lembra o meu rosto", ele diz, "mas eu lembro o rosto de todos."
Leia também: Os 20 filmes imperdíveis da Mostra de SP
Com poucos anos de estudo, nenhum conhecimento de língua estrangeira e baixa qualificação, Gary tem de aceitar um emprego pouco desejável em uma usina nuclear francesa. O trabalho é arriscado e obriga que todos os funcionários - muitos deles jovens "esquecidos" como Gary - sigam rígidas normas de segurança, se comuniquem com precisão e carreguem no peito um medidor de radioatividade. Se este apitar, a dose de radiação recebida foi alta demais.
Enquanto permanece nos corredores da fábrica, "Grand Central" é um filme envolvente e tenso. Como os funcionários da fábrica, também o espectador teme cada sinalização do medidor de radioativade e se põe em estado de alerta quando o alarme da usina começa a soar - quanto mais vezes, mais grave o acidente.
Da metade para o fim, porém, o filme perde força e ritmo conforme Zlotowski introduz um romance entre Gary e Karole (Léa Seydoux), mulher de outro trabalhador da usina, Toni (Denis Ménochet). O casal até convence, mas a química não resiste à série de clichês.
Não era preciso inserir o romance para que gostássemos e nos preocupássemos com Gary, um personagem que parece muito real e atual - um símbolo dos efeitos da crise europeia na juventude da França, o país mais dependente de energia nuclear no mundo.
"Grand Central" na Mostra 2013
25/10 (sexta), 18h, no Espaço Itaú de Cinema - Augusta
