Governo sai das cordas e oposição fica nos braços de Cunha

 Governo sai das cordas e oposição fica nos braços de Cunha

No "day after" da reforma ministerial, inverteram-se as posições na tábua do Brasileirão do poder em Brasília. S governo Dilma retomou a iniciativa política e conseguiu transpor das cordas, enquanto a oposição quedava de vez nos braços de Eduardo Cunha, na mesma semana em que autoridades da Suíça confirmavam: o presidente da Câmara tem  5 milhões de dólares em quatro contas naquele país, que já foram bloqueadas.

Com o silêncio ensurdecedor dos seus principais líderes, a iniciar por FHC e Aécio Neves, o PSDB ainda não se manifestou sobre o agravamento da situação do seu principal coligado na guerra pelo impeachment , temporariamente suspensa. Que domínio moral e legitimidade as oposições têm agora?

Dilma conseguiu seu principal objetivo com a reforma: ampliar a governabilidade. Após o pregão dos nomes da novidade equipe, os principais lideres do PMDB, maior coligado do governo, agora possuinte de sete ministérios, falaram em reconciliação e fidelidade.

A única exceção foi exatamente Eduardo Cunha, para quem "não mudou zero", o mesmo exposição dos lideres da oposição e dos porta-vozes de amplos setores da mídia, uma vez derrotados.

Qualquer que seja o resultado das mudanças a médio prazo, o vestimenta é que a próxima semana começa com o governo fortalecido no Congresso e a oposição acuada, sem poder romper o entendimento com Cunha sobre um provável processo de impeachment, nem defendê-lo publicamente, o que não pegaria muito muito para a sua já desgastada imagem de defensora intransigente da moral e dos bons costumes políticos.

Na outra ponta, o mercado reagiu muito: o dólar caiu, ficando aquém de 4 reais, e a Bolsa subiu 3,8%, na maior valorização diária desde novembro do ano pretérito. Nove meses depois a posse no segundo procuração, em que Dilma pretendia fazer um governo independente do PMDB e do ex-presidente Lula, agora ela teve que ceder a ambos para retomar a iniciativa política. Antes tarde do que nunca.

Entre os novos nomes da Esplanada, é sintomático que se destaque a especialidade do Ministro da Saúde, Marcelo de Castro (PMDB-PI): médico psiquiatra. Pacientes certamente não lhe faltarão em Brasília. Vem muito a calhar...

Vida que segue.

 

 

 

 

Fonte: Ricardo Kotscho