Genoma de nativos da América do Sul é decifrado pela 1ª vez

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São mais de 15 anos de pesquisa, mas foram os últimos três que possibilitaram aos cientistas sequenciar pela primeira vez o genoma de indivíduos antigos da América do Sul. Antes todo genoma sequenciado com sucesso era proveniente de regiões temperadas. A principal dificuldade era a preservação de material genético de fósseis em regiões de clima tropical.

Publicado na revista “Science”, o trabalho – que fez o sequenciamento genético dos fósseis de Lagoa Santa (MG) – mostrou que eles são ancestrais dos índios sul-americanos e revelou que a história da ocupação das Américas é muito mais complexa do se imaginava.

Ao todo 15 nativos americanos, seis dos quais com mais de 10 milénio anos – incluindo fósseis de Lagoa Santa, Minas Gerais – foram analisados. Três pesquisadores da Universidade Federalista de Minas Gerais (UFMG) estão entre os autores do cláusula liderado pelo professor Eske Willerslev, das universidades de Cambridge (Reino Unificado) e de Copenhague (Dinamarca).

Fabrício Santos, professor do Departamento de Biologia Universal da UFMG, e o mestrando em genética Thomaz Pinotti realizaram as análises genéticas do cromossomo Y e do DNA mitocondrial dos indivíduos antigos e participaram da discussão e da elaboração dos diferentes modelos de povoamento. Já o professor Luiz Souza, da Escola de Belas Artes, aplicou conceitos da ciência da conservação de bens culturais ao campo do patrimônio arqueológico e genético.

O estudo trouxe uma novidade luz para a compreensão da expansão e transmigração populacional para as Américas. “Antes, a informação que se tinha era relacionada aos estudos arqueológicos que diziam que o povo de Lagoa Santa seria mais próximo de povos africanos”, afirma o pesquisador. No entanto, os dados da pesquisa mostraram que, apesar de não parecerem, essas populações originaram os índios sul-americanos.

Complicação da transmigração. O estudo indica também que, além dos deslocamentos populacionais em direção ao sul do continente, existiu outro movimento em larga graduação, há aproximadamente 8.000 anos, da Mesoamérica (México e América Medial) para as Américas do Sul e do Setentrião.

“Isso mostra a complicação da rota estabelecida pelos povos que inicialmente ficam em uma rota costeira e depois muda os hábitos e vai para o interno do continente. Verificamos que se trata de um povo heterogêneo, mas que tem os índios porquê raiz”, explica Santos. Os pesquisadores encontraram sinais dessa transmigração no genoma de todas as populações indígenas do continente em que dados genéticos estão disponíveis.

A novidade teoria corrobora com a pesquisa publicada na revista “Cell” que coloca Luzia, o mais velho ancião do Brasil, porquê progénito de ameríndios. Esse estudo teve a participação do arqueólogo André Strauss, da Universidade de São Paulo (USP).

Resultados trazem novos desafios

O estudo publicado na “Science” coloca novamente o Brasil no meio da discussão da ocupação do continente americano, e as novas descobertas sobre a origem dos povos americanos traz consigo novos desafios.

“Agora precisamos compreender o processo que resultou na diversificação morfológica entre a população de Lagoa Santa e os índios atuais. Com novos dados, esperamos entender de que forma esse processo aconteceu”, diz Fabrício Santos.

Além dos deslocamentos populacionais em direção ao sul do continente o estudo também indica que existiu outro movimento em larga graduação, há aproximadamente 8.000 anos, da Mesoamérica (México e América Mediano) para as Américas do Sul e do Setentrião.

“Geneticistas, arqueólogos, antropólogos, linguistas e cientistas precisam coligar as novas descobertas e edificar o cenário e dinâmica da população que aconteceu nas américas”, conclui o pesquisador.


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