Fiscalização aponta falhas de Itinga na gestão do Bolsa Família

Ricardo Galhardo

Cidade que foi berço do programa teve que devolver dinheiro usado de forma irregular e recebeu criticas por não apresentar portas de saída para os beneficiários

Relatório de fiscalização feito pela Controladoria Geral da União (CGU) em 2013 aponta que a Prefeitura de Itinga se acomodou em relação ao Bolsa Família. O documento mostra uma série de falhas do poder municipal na gestão do programa. Algumas irregularidades dizem respeito ao Serviço de Apoio à Gestão Descentralizada, responsável justamente pelas portas de saída do programa.

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Adília da Silva é artesã e beneficiária do Bolsa Família

Adília da Silva é artesã e beneficiária do Bolsa Família

Foto: Ricardo Galhardo/iG São Paulo

Cozinha da casa de uma família beneficiada pelo Bolsa Família do povoado de Pasmadinho

Cozinha da casa de uma família beneficiada pelo Bolsa Família do povoado de Pasmadinho

Foto: Ricardo Galhardo/iG São Paulo

Evangelina Martins de Souza é artesã e beneficiária do Bolsa Família

Evangelina Martins de Souza é artesã e beneficiária do Bolsa Família

Foto: Ricardo Galhardo/iG São Paulo

Rua principal de Itinga

Rua principal de Itinga

Foto: Ricardo Galhardo/iG São Paulo

Quintal da casa de uma família que recebe o Bolsa Família

Quintal da casa de uma família que recebe o Bolsa Família

Foto: Ricardo Galhardo/iG São Paulo

Casas do vilarejo de Pasmadinho

Casas do vilarejo de Pasmadinho

Foto: Ricardo Galhardo/iG São Paulo

Praça principal e igreja matriz de Itinga

Praça principal e igreja matriz de Itinga

Foto: Ricardo Galhardo

Alessandra Cardoso de Oliveira recebeu a visita do ex-presidente Lula em 2003

Alessandra Cardoso de Oliveira recebeu a visita do ex-presidente Lula em 2003

Foto: Ricardo Galhardo

Vista do Mercado Municipal de Itinga

Vista do Mercado Municipal de Itinga

Foto: Ricardo Galhardo

Ônibus escolar em frente a igreja matriz

Ônibus escolar em frente a igreja matriz

Foto: Ricardo Galhardo

De acordo com a CGU, Itinga recebeu R$ 54 mil nos primeiros seis meses de 2011. A quantia poderia ser utilizada, entre outras coisas, na implantação de programas complementares nas áreas de alfabetização, capacitação de trabalhadores, geração de empregos e renda, e orientação dos beneficiários para uso do microcrédito produtivo.

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Parte da verba, no entanto, foi gasta em ações paliativas como compra de cestas básicas, pagamento de exames médicos em cidades da região e até em São Paulo e transportes de crianças com deficiência.

“Salienta-se que grande parte das despesas destinaram-se ao atendimento de necessidades assistenciais de moradores do município e não guardam relação com a gestão do programa Bolsa Família”, diz o relatório. Diante do apontamento, a prefeitura devolveu o dinheiro.

A CGU aponta ainda uma série de falhas na fiscalização das contrapartidas ao programa. Um exemplo: 29 crianças beneficiadas pelo Bolsa Família não frequentavam as aulas. Apesar disso, apareciam com 100% de frequência nos relatórios enviados pela prefeitura ao Ministério do Desenvolvimento Social. Cerca de 40% das crianças pesquisadas não tinham acompanhamento nutricional.

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Foram encontrados ainda servidores públicos que recebiam o benefício e famílias com renda mensal de até R$ 2 mil penduradas no Bolsa Família. Além disso, a prefeitura não divulgava a lista de beneficiados e não implantou uma instância de controle social.

O relatório também aponta falhas no uso de recursos de outros ministérios como, por exemplo, os da Educação e Saúde. O cardápio real das escolas não era condizente com o que fora estipulado pela nutricionista. Na maioria delas, a merenda era composta apenas por arroz e macarrão. A prefeitura comprava comida nos armazéns e mercados da cidade sem fazer licitação. O transporte escolar era inadequado e algumas escolas tinham dejetos de animais no pátio.

Segundo a prefeitura, hoje nas mãos do PSDB, as falhas dizem respeito à gestão anterior, do PT, e estão sendo sanadas. O relatório da CGU motivou uma investigação em andamento no Ministério Público Federal.

O ex-prefeito Charles Azevedo Ferraz, o Charlão, foi procurado, mas não foi encontrado para comentar as falhas apontadas pela fiscalização. Ele teve os bens bloqueados pela Justiça mineira devido à contratação irregular de uma médica.

Fonte: Notícias do Último Segundo: o que acontece no Brasil e no Mundo