Feministas protestam em SP contra revogação de portaria que regula aborto
Agência Brasil
Portaria 415 incluía procedimentos para aborto como de vítimas de estupro e fetos com anencefalia ou risco de vida
Movimentos feministas organizaram protesto contra a revogação da Portaria 415, na tarde deste sábado (7), em São Paulo. O ato começouocorreu a partir das 16h, na Praça da Sé, no centro da cidade.
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A Portaria 415 incluía procedimentos para aborto previstos em lei na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), dando a mulheres o direito legal ao aborto quando vítimas de estupro, gestantes de feto com anencefalia (má formação que impede o desenvolvimento do cérebro) ou corressem risco de vida.
Para Jéssica Hipólito, que integra o movimento feminista, a revogação vai trazer prejuízos para as mulheres. E lembra: muitas acabam recorrendo a procedimentos clandestinos para o aborto.
“Isso é um absurdo. A gente está demonstrando aqui com esse ato que a portaria é muito importante para nós e para as mulheres em situação de violência. Essa portaria revogada é um retrocesso, é uma violação aos nossos direitos”, afirmou.
A feminista Maria Luppi Foster defendeu essa é uma pauta histórica do movimento: “Tem a ver com a liberdade de escolha das mulheres sobre o próprio corpo. Embora as mulheres já tenham esse direito, nos casos em que a lei já prevê, muitas vezes passam por vários problemas".
Para ela, a revogação da Portaria é uma continuação da violência: "ter de passar por tudo isso, depois de já ter sido violentada, para conseguir abortar”.
