Fêmea de inseto descoberto por mineiro têm pênis para penetrar o macho

Em uma caverna escura no norte de Minas, sem luz, água e alimento, insetos raros desenvolveram um jeito inusitado de se reproduzir: a fêmea tem pênis e o macho, uma espécie de vagina. Os animais com o curioso sistema genital são conhecidos como Neotrogla, medem 4 milímetros e foram descobertos há 18 anos por um pesquisador da UFLA (Universidade Federal de Lavras). Na última semana, um artigo publicado pela revista Current Biology comprovou o que parecia impossível: a "inversão" entre os órgãos sexuais da espécie.

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O pesquisador que descobriu o primeiro filhote do gênero Neotrgola, Rodrigo Lopes Ferreira, especialista em biologia de cavernas, explica que a fecundação ocorre normalmente no corpo fêmea. Ela desenvolveu o pênis para conseguir recolher o sêmen do macho, que por algum motivo ainda não explicado pela ciência, não cumpre seu "papel" como outras espécies de insetos.

Caverna Toca dos Ossos, na Bahia, onde uma das espécies foi encontrada Daniel Menin / UFLA / Divulgação


— O pênis é embutido no abdome da fêmea, e no macho praticamente desapareceu, mas se desenvolveu um "arco" semelhante a uma vagina, onde o material é recolhido. Ainda não sabemos como essa troca ocorre, se ela suga o sêmen, se o macho o espreme. Por ser uma espécie rara e primitiva, as descobertas levam tempo. Descobri o primeiro filhote há 18 anos. Só em 2003 encontramos um adulto.

Os pesquisadores acreditam que as fêmeas busquem o sêmen mesmo quando os gametas ainda não estão maduros para a a reprodução. A cópula é longa: dura de 40 a 70 horas seguidas e é dolorosa para o macho: além do pênis, que fica ereto durante o ato, a fêmea desenvolveu espinhos para ajudá-la a se fixar na vagina do companheiro.


Ao todo, quatro espécies foram encontradas até hoje, em cavernas em Minas, na Bahia e no Tocantins. Em 2008, uma aluna de Rodrigo Ferreira descobriu um exemplar da espécie que foi enviado para a Suíça, onde a função do pênis feminino foi comprovada. Em abril, Ferreira publicou o artigo na Current Biology com a colaboração do suiço Charles Lienhard e dos japoneses Kazunori Yoshizawa e Yoshitaka Kamimura.

 

Fonte: R7 - Minas Gerais