Fecham mais três usinas em Minas

A crise vivenciada pelo setor sucroenergético de Gerais, devido à política do governo federal que beneficia a gasolina, aliada à estiagem atípica nos primeiros três meses do ano, impactou de forma negativa na produção de cana-de-açúcar do Estado, que ficará 3% inferior à registrada na safra passada. A expectativa da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Gerais (Siamig) é de que sejam processadas 59,5 milhões de toneladas de cana. No período produtivo 2014/15, a previsão é que 40 usinas participem da moagem, porém, há grande receio em relação a três dessas unidades, que poderão encerrar suas atividades. Nas últimas quatros safras, seis usinas foram fechadas no Estado.

De acordo com o presidente executivo da Siamig, Mário Campos, a crise vivenciada pelo setor é grave e vem acarretando diversos problemas, dentre eles, o endividamento das unidades produtoras e a redução dos preços pagos aos fornecedores de cana. Esses, por sua vez, vêm reduzindo o índice de renovação dos canaviais. O impacto negativo será sentido também nas próximas safras.

“A situação é grave, e se não houver apoio do governo tende a piorar. No Estado, temos três unidades produtoras de etanol que correm o risco de encerrar as atividades ao longo desta safra. Caso essas unidades, que estão em processo de recuperação judicial, sejam fechadas, elas deixarão de gerar cerca de 4 mil empregos diretos. A crise do setor tem como principais fatores a proteção do governo federal em relação à gasolina e a falta de políticas que favoreçam a produção de etanol”, disse.

Segundo o levantamento da Siamig, a produção de cana em Gerais será 3% inferior à colhida em 2013, totalizando 59,5 milhões de toneladas, frente ao volume recorde de 61,2 milhões de toneladas processadas anteriormente. A colheita da cana foi iniciada em abril, com 26 usinas em operação. Essas empresas responderam por 86% da produção de cana na safra 2013/14 no Estado.

O início tardio da safra foi provocado pela estiagem atípica, que interferiu no desenvolvimento dos canaviais. Até o fechamento de abril, o índice de processamento da cana estava em 7%, aproximadamente. A estimativa inicial da Siamig é que Gerais produza cerca de 3,52 milhões de toneladas de açúcar, volume que se alcançado representará um avanço de 3% sobre o volume gerado em 2013. Do volume total de cana-de-açúcar a ser moída em 2014, 43,9% serão destinados à fabricação de açúcar.

“Mesmo com os preços em baixa, devido à oferta mundial elevada, o crescimento da produção mineira de açúcar foi impulsionado por contratos previamente assinados pelas usinas. A demanda pelo açúcar é muito grande no exterior, por isso, exportamos de 60% da nossa produção”, informou.

Em relação à produção total de etanol em Gerais, a expectativa do Siamig é que o volume fique em 2,53 bilhões de litros, queda de 6% frente a produção de 2,67 bilhões de litros gerados na safra 2013/14. O volume de anidro será 9% superior, com uma produção de 1,27 bilhão de litros, frente aos 1,17 bilhão de litros produzidos em 2013/14. Um dos pleitos do setor junto ao governo federal é o de uma novo aumento da mistura do anidro à gasolina, que poderá passar de 25% para 27,5%.

“O consumo de gasolina em Gerais é muito elevado e, por isso, o setor resolveu apostar no anidro, que é adicionado à gasolina, que no hidratado. Outro estimulo é que a produção de anidro é contratada antes do início da safra, o que traz maior conforto ao produtor”, disse.

Em relação ao etanol hidratado, a produção foi estimada em 1,25 bilhão de litros, queda de 17%. Os preços menos competitivos frente à gasolina constituem o principal fator que desestimula a produção.

Fonte: Minas em Gerais