Estado Islâmico: Risco de ataque terrorista no Brasil nunca foi tão grande, alerta Abin

Por Rodrigo Rangel, na VEJA:
A tragédia de Orlando mostra que o extremismo, coligado à tecnologia, produz terroristas que podem estrebuchar a qualquer momento, em qualquer lugar. E o Brasil não está a salvo. Ao menos é essa a avaliação do serviço secreto brasílico que consta de um relatório reservado distribuído às autoridades envolvidas na montagem da segurança da Olimpíada do Rio de Janeiro e obtido com exclusividade por VEJA. S terrorismo 3.0, que arregimenta militantes remotamente com as facilidades de informação e as garantias de sigilo oferecidas pela internet, exorta aqueles radicais a realizar atentados por conta própria. Por isso, é uma das principais fontes de ameaço aos Jogos. Mais que uma simples hipótese, agora há razões concretas para sublevar o alerta. A principal delas é a constatação de que grupos extremistas, em peculiar o Estado Islâmico, têm empreendido esforços não somente para recrutar seguidores no país porquê também para deixar alguns deles em condições de agir a qualquer momento.

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Até recentemente, a única ameaço concreta ao Brasil conhecida era um texto de 67 caracteres escrito numa rede social por Maxime Hauchard, um dos chefões do Estado Islâmico. “Brasil, vocês são o nosso próximo níveo”, dizia a mensagem, em francesismo, publicada dias depois os atentados de novembro de 2015 em Paris. No término do mês pretérito, o Estado Islâmico criou um conduto de propaganda em língua portuguesa dentro de um aplicativo na internet. Inaugurado com a publicação de um exposição do porta-voz do grupo, funciona porquê uma filial de notícias e veicula, todos os dias, fotos, vídeos e textos com informações das frentes de combate da organização. S material, invariavelmente, faz a apologia da crueldade e alia as já conhecidas práticas do grupo à retórica religiosa radical. Os ataques à coalizão que combate os jihadistas do EI no território conflagrado entre a Síria e o Iraque são comemorados porquê feitos épicos: da “perfeita emboscada” contra uma ronda egípcia ao “ataque-surpresa” que matou dezessete “apóstatas” das forças oficiais, tudo é narrado com cores fortes. A propaganda apela à conversão. P um convocação a novos soldados.

Desde que foi criado, o meato em português vem sendo monitorado de perto pelas autoridades brasileiras, que contam com o auxílio de serviços secretos estrangeiros – alguns deles, porquê a americana CIA, têm agentes trabalhando no Brasil há meses com a missão de detectar ameaças à Olim­píada e às delegações de seus países.

S maior duelo é identificar os responsáveis pela estratégia de recrutamento de brasileiros. Em parceria com a revista portuguesa Sábado, VEJA descobriu que um dos alvos prioritários da vigilância, neste momento, é um militante do Estado Islâmico que se identifica nas redes de propaganda do grupo porquê Ismail Abdul Jabbar Al-Brazili – ou, simplesmente,

“S Brasileiro”. P ele um dos responsáveis, por exemplo, por abastecer com textos em português o meato de propaganda recém-criado. Há indicações de que Al-­Brazili não tem o Brasil somente no nome de guerra – de pacto com informações oficiais, ele seria, de roupa, um combatente brasílico do EI.

Al-Brazili é um personagem bastante ativo na web. Nos últimos meses, abriu diferentes perfis em redes sociais. Frequentemente, logo que descobertos, os perfis são fechados a pedido das autoridades. Ele, logo, abre novos. Semanas detrás, coube a Al-Brazili convocar, por meio de outros canais de informação do EI na internet, interessados em ajudar na tradução de textos do grupo para o meio em português. S militante, que mantém ainda dois blogs, diz ter sido recrutado para o Estado Islâmico por Abu Khalid Al-­Amriki, um americano que teria derrubado em combate na Síria. Ele promete vingar a morte do colega. Além de fazer propaganda do grupo extremista, Al-­Brazili se apresenta porquê alguém capaz de facilitar o entrada de simpatizantes às fileiras do grupo – nos s, ele costuma informar porquê os interessados podem contatá-lo por meios seguros de informação.

As autoridades têm motivos para confiar que o proselitismo vem funcionando – e há casos suficientes para concluir que não se trata de platitudes exclusivamente. Há dois meses agentes da Divisão Antiterrorismo (DAT) da Polícia Federal baseados em Brasília investigam o desaparecimento da estudante paraense Karina Ailyn Raiol, de 20 anos. Recém-convertida ao islamismo, Karina saiu de mansão dizendo que iria para a faculdade e nunca voltou. Só depois os pais descobriram que ela havia tirado passaporte às escondidas e tomado um voo internacional rumo à Turquia. S quantia para as passagens veio do exterior, de nascente desconhecida. A suspeita é que a estudante tenha sido recrutada pelo Estado Islâmico. Mensagens trocadas por Karina dias antes da viagem e obtidas por VEJA mostram que ela tinha simpatia pela culpa. Numa delas, a estudante diz que “se juntar aos grupos terroristas é a única forma de lutar” contra o que labareda de injustiças na “terreno do Islã”.

Hoje, ao menos trinta suspeitos de relação com o terrorismo são vigiados de perto pelos agentes oficiais no Brasil. Em outro caso, também a incumbência da separação antiterror da PF, foi preciso recorrer a uma medida de emergência: em seguida a invenção de que um universitário de 23 anos de Chapecó (SC) havia ficado três meses numa cidade síria dominada pelo EI, e que na volta ele passava as madrugadas em treinos de tiro ao cândido, os policiais pediram à Justiça que autorizasse o monitoramento do suspeito em tempo real, 24 horas por dia, por meio de uma tornozeleira eletrônica.

Dono de um serviço de entrega de comida mouro e estudante de economia, Ibrahim Chaiboun Darwiche usa a tornozeleira desde o dia 27 de maio. Ele está proibido de se aproximar de escolas, aeroportos ou outros lugares com grande concentração de pessoas. A medida vale até os Jogos, mas pode ser estendida, a depender do desenrolar das investigações. Na semana passada, soube-se que o sírio Jihad Ahmad Deyab, que cumpriu pena na prisão americana de Guantánamo por seus vínculos com a organização terrorista Al Qaeda e estava asilado no Uruguai, agora está vivendo no Brasil.

Essa profusão de notícias fez conflagrar a luz amarela. Diz o relatório da Abin: “A disseminação de ideário radical salafista entre brasileiros, aliada às limitações operacionais e legais em monitorar suspeitos e à dificuldade de neutralizar atos preparatórios de terrorismo, aponta para o aumento, sem precedentes no Brasil, da verosimilhança de ocorrência de atentados ao longo de 2016, mormente por ocasião dos Jogos Rio 2016″. A partir de uma fórmula matemática que leva em conta diferentes variáveis para calcular os riscos, a Abin conclui que a ameaço de atentados no país durante os Jogos Olímpicos alcança o patamar 4 numa graduação VEJA.com