Em resposta a manifestações, Alckmin defende ‘pacto’ pela reforma política
Natália Peixoto
Governador de São Paulo disse que onda de protestos reflete falência do modelo político brasileiroEm entrevista coletiva para anunciar que não haverá aumento nos preços dos pedágios nas rodovias em São Paulo, nesta segunda-feira (24), o governador Geraldo Alckmin defendeu a realização de um "pacto" por pelo menos um "mínimo de reforma política". O governador levantou a bandeira após ser questionado se o pacote de medidas que permitirá às concessionárias das estradas a não aumentarem os pedágios teria sido influenciado pelas recentes manifestações em todo o Estado.
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"Não há nada mais importante do que a sociedade civil se manifestar. (...) Acho que muito do que nós estamos vendo é a falência, o esgotamento do modelo político brasileiro, política pautando negócios, nós estamos há bastante tempo alertando sobre isso e acho que precisa se fazer um pacto pela reforma política", disse Alckmin. Ele negou que o pacote que permite a manutenção dos preços dos pedágios seja uma medida populista e disse que o governo tem trabalhado desde 2011 para otimizar os gastos e ganhos da Artesp (agência que regulamenta o transporte no Estado).
O governador informou que o pacote adotado para absorver o impacto inflacionário que aumentaria os pedágios deve ser replicado para manter o preço de R$ 3,00 no metrô e na CPTM. "Nós não vamos cortar nenhum investimento. Nós já estamos estudando um conjunto de medidas na área do custeo e da eficiência para chegarmos a esses valores e não suprimir nenhum investimento, ao contrário, vamos aumentar os investimentos na área de mobilidade urbana", disse. A declaração vai de encontro ao que declarou o prefeito Fernando Haddad (PT) na semana passada, que disse que a Prefeitura precisará cortar investimentos para subsidiar a redução de R$ 0,20 na passagem de ônibus.
Alckmin condicionou o aumento nos investimentos com a liberação de três financiamentos pelo Ministério da Fazenda e pelo Senado. Ele também confirmou que irá se reunir com a presidente Dilma Rousseff hoje, em Brasília, e disse estar "aberto ao diálogo" para buscar novas parcerias para melhorar os serviços públicos.
