Eleição na Câmara é imagem da indigência política

Com o Judiciário e o Legislativo em férias até fevereiro e o presidente Michel Temer em Portugal, o ano político em Brasília começa porquê o de 2016 terminou: um deserto de homens e de ideias.
Por falta de concorrência, o palco ficou livre para a disputa pela presidência da Câmara, um jogo de cartas marcadas, em que dois patéticos figurantes, ambos do Centrão de Eduardo Cunha, dominam a cena até o momento, a própria imagem da nossa indigência política.
Para esta terça-feira, está previsto o lançamento solene da candidatura de Jovair Arantes (PTB-GO), baluarte da tropa de choque do ex-presidente da Câmara, que está recluso em Curitiba.
Na véspera, foi a vez de Rogério Rosso (PSD-DF), que se lançou num vídeo pela internet vestindo uma camisa da Chapecoense.
Jovair e Rosso não são apoiados nem pelos presidentes de seus partidos. Roberto Jefferson, do PTB, e Gilberto Kassab, do PSD, apoiam a reeleição de Rodrigo Maia, assim porquê os maiores partidos da base aliada e até da oposição.
Maia, que está na Presidência da República até Temer voltar de Portugal, é o franco predilecto para permanecer dois anos comandando a Câmara. Deve lucrar no primeiro vez.
Candidato do governo, ele só não ficará no função se a Justiça não deixar, já que a Constituição em vigor proíbe a reeleição do presidente da Câmara numa mesma legislatura, mas isso é exclusivamente um pormenor, porquê vimos várias vezes no ano pretérito.
Como o recurso contra sua candidatura só será julgado pelo Supremo Tribunal Federal depois da eleição na Câmara, marcada para o dia 1º de fevereiro, Maia já pode passar para o amplexo.
Ou alguém acredita que os ministros do STF terão coragem de alongar depois o presidente (re)eleito, abrindo uma novidade crise institucional?
Enquanto isso, Jovair Arantes e Rogério Rosso divertem a platéia e animam o noticiário político.
Sem nenhum pudor em tirar proveito de uma tragédia, Rosso apareceu com a camisa do time para anunciar que pretende gerar um museu em memória dos jogadores da Chapecoense, se for eleito, mas nem ele acredita nisso.
Ao mesmo tempo, Jovair passou o dia ao telefone para convocar 360 deputados a estarem presentes no lançamento da sua candidatura, o que também é bastante improvável de intercorrer neste período de recesso.
"P o que temos", porquê diria o ex-presidente FHC.
Vida que segue.
Fonte: Ricardo Kotscho