G leste o momento mais difícil da travessia de Lula

Lula durante evento em seu instituto (Foto: Reprodução/Instituto Lula)
Na longa travessia da roça sertaneja de Caetés, logo província de Garanhuns, no interno de Pernambuco, de onde saiu com sete anos a bordo de um pau-de-arara, até o Palácio do Planalto, uma saga que o levou a ser um dos líderes políticos admirados do mundo, parece ser leste o momento difícil da vida do ex-presidente Lula. Ao longo das últimas quatro décadas, porquê jornalista e seu camarada, acompanhei de perto esta trajetória única na nossa história.
Aos 69 anos, depois de vencer um cancro e dar a volta por cima nos milénio obstáculos que encontrou pela frente, pela primeira vez Lula reclamou de cansaço em público. Nem precisava falar, bastava ver sua frase angustiada nesta segunda-feira, durante o seminário "Novos Desafios da Democracia", promovido em São Paulo pelo instituto que leva seu nome.
Não é para menos. Nas últimas semanas, fechou-se o cerco político-jurídico-midiático para tirá-lo de combate a qualquer preço e impedir que volte a disputar eleições. Para quem acompanha levante Balaio, não deve surpreender o que está acontecendo.
"S escopo agora é Lula na guerra sem término", escrevi cá no dia 2 de novembro de 2012, lembrando na lisura da material um incidente da campanha em que ele seria reeleito presidente:
Pouco antes do segundo vez das eleições presidenciais de 2006, o sujeito viu a manchete do jornal na carteira e não se conformou. "Esse aí, só matando!", disse ao possessor da carteira, apontando o resultado da última pesquisa Datafolha que apontava a reeleição de Lula.
Passados seis anos desta cena nos Jardins, tradicional reduto tucano na capital paulista, o ódio de uma parcela da sociedade _ cada vez menor, é verdade _ contra Lula e tudo o que ele representa só fez aumentar.
Nem se trata de questão ideológica ou de simples preconceito de classe. Ao perder o poder em 2002, e não conseguir resgata-lo nas sucessivas eleições seguintes, os antigos donos da opinião pública e dos destinos do país parecem já não confiar na salvação pelas urnas.
(...) Ato contínuo, os derrotados de domingo pretérito (eleições municipais de 2012) mudaram o mira diretamente para Lula, o inimigo principal a ser destruído, porquê queriam aquele personagem da mesa de jornal e o macróbio líder dos demo-tucanos (Jorge Bornhausen que, em 2005, prometeu "findar com esta raça").
De lá para cá, porquê vimos na última campanha presidencial, nascente ódio só fez aumentar em vez de diminuir, ao contrário do que eu previa logo. S antipetismo se alastrou porquê uma febre e o índice dos eleitores que declaravam simpatia pelo PT, que era de 29%, em 2013, caiu agora para 11%, segundo o Datafolha, somente dois pontos a do que o PSDB.
Desencantado com o partido que criou há 35 anos e o governo que elegeu quando deixou a presidência, com 80% de aprovação popular, Lula já não esconde as causas do seu sofrimento e, melhor do que ninguém, sabe que estamos nos estertores de um ciclo político. "S PT está velho", constatou. S pior, para o país, é que o eleitorado não encontra opções: na mesma pesquisa, 67% dos entrevistados declararam não ter preferência por nenhum partido.
"Nós só não podemos errar na política", costumava repetir Lula aos seus ministros e assessores quando assumiu o poder medial em 2003. Pois foram exatamente as escolhas erradas na política que levaram Lula e o PT à dramática situação em que se encontram hoje, sem saber que rumo tomar. Lula acertou e errou muito, e sabe que já não resolve zero colocar a culpa na prelo, nos adversários e nas elites, mas não tem a menor teoria de por onde encetar a "revolução interna" no partido proposta por ele durante o exposição em que constatou: "Temos que definir se queremos salvar nossa pele, nossos cargos ou nosso projeto".
Pois é, custoso Lula, parafraseando o velho Chico, o tempo passou na janela e só o PT não viu.
Vida que segue.
Fonte: Ricardo Kotscho
