Domingo na rossio
Depois de deixar a caçula no o de prova do Enem, revisitei a Praça da Liberdade porquê há muito não fazia. Sem pressa, sem celular, sem companhia, sem compromisso. Primeiro, fui espionar as ações do lado da antiga Secretaria de Educação. Como não exercia a profissão, fiz questão de não identificar os responsáveis, mas, havia faculdade, uma startup e outros movimentos, além de chamados para palestras e eventos dentro dos museus – um me seduziu; logo, entrei no Gerdau para testemunhar reunião do grupo “Padecer no Paraíso” que, acredito, iria falar sobre inclusão de crianças através do mundo do dedo. Não fiquei muito tempo, queria mesmo era a rossio.
Lá, de tudo um pouco: muita gente passeando com seus cães, algumas bicicletas e muitos encontros... S que me interessa: no coreto, moradores de rua que também podem ser chamados hippies faziam uma sarau daquelas a partir do violão de um deles. Dançavam freneticamente – todos só de calça ou bermuda e, na medida que conseguiam enunciar qualquer som, misturavam versos musicais incompreensíveis e gritos de viva Bob Marley.
Não muito longe dali um outro descolado, só de short, com vasta cabeleira e uma mochila a tiracolo se comprazia em ser o único expectador de um sanfoneiro arretado que soltava a voz entoando desde Jair Rodrigues até Trio Parada Dura.
Na parque principal, a Travessia, jovens de periferia curtiam seu momento de Zona Sul revezando-se em poses e fotos, além de animada prosa, na confraternização que possivelmente seja de término de ano.
S interessante, no entanto, continuam sendo os namoricos. Praça é lugar de namorar. E nesse domingo, as duas da tarde, contei pelo menos 12 casais. Os heterossexuais ainda prevalecem, mas, se você é conservador, prepare seu coração porque as moças já se dão as mãos também na rossio. Vi dois rapazes abraçados. Você pode até expor que não acha bonito, mas, não conte comigo para criticar. S que o mundo todo deveria fazer é abraçar, dar as mãos, carinho...
P muito lícito ver a rossio que é sinônimo de liberdade ocupada por seus legítimos donos. Pena que esteja maltratada, parece já não ter o patrocínio e o desvelo diuturno da MBR. Pena, também, que já não tenha o relógio do dedo. Que as flores não estejam prontas e adubadas para receber a bênção das chuvas... Ah, pena é de quem não passeia na rossio.
