Dilma mostra coragem diante das baixarias

 Dilma mostra coragem diante das baixarias

Dilma em sua visitante ao congresso (Foto: Wilson Dias/02.02.2016/Agência Brasil)

De costas para a mesa onde a presidente Dilma Rousseff está fazendo seu exposição, um deputado aparece gritando. Outro passa diante dela desfilando com uma placa em que se lê "Xô CPMF". Uma deputada interrompe a fala da presidente da República para fazer uma queixa no microfone do plenário. Sobre a bancada, um parlamentar estica a fita "S Brasil não aguenta você. Cai fora!".

Foi um festival de baixarias, incivilidade, desrespeito e falta de ensino a reabertura solene do Congresso Nacional nesta terça-feira, desta vez com a presença da presidente Dilma, que resolveu de última hora apresentar pessoalmente a mensagem anual do Executivo ao parlamento.

Deu a sensação de que grande secção das excelências não queria nem ouvir o que a presidente tinha a lhes expor e propor. Enquanto Dilma propunha diálogo e parceria para enfrentar as graves dificuldades do País e medidas para a retomada do desenvolvimento econômico, deputados e senadores continuavam conversando animadamente, consultando seus celulares e até teve um que ficou o tempo todo dormindo.

P inimaginável ver cenas porquê estas quando o presidente Obama faz seu exposição anual sobre o Estado da União ou durante as visitas da primeira ministra Merkel ao parlamento boche.

Repórteres presentes registraram que Dilma foi vaiada oito vezes ao longo do seu exposição e, com isso, os parlamentares da oposição conseguiram roubar todas as manchetes dos jornais, que era o que eles procuravam. Em outras 13 ocasiões, a presidente foi aplaudida. Uma solenidade porquê essas não pode ser uma disputa entre vaias e aplausos, se todos ali estivessem realmente interessados em muito simbolizar seus eleitores e buscar soluções para os problemas nacionais.

Parlamentares oposicionistas se comportaram porquê black blocs da internet ou porquê se estivessem participando de um protesto estudantil, mostrando o intensidade de degradação a que chegou a disputa política no Legislativo.  Oposição não foi feita mesmo para aplaudir o governo, mas será que seus representantes não poderiam esperar para fazer suas contestações tarde, nos plenários da Câmara e do Senado, depois da saída da presidente?

"Precisamos ter porquê horizonte o horizonte do País e não exclusivamente do meu governo", conclamou Dilma, mas parece que falou para as paredes. De qualquer forma, o traje é que a presidente saiu das cordas e retomou a iniciativa das ações políticas, mostrando coragem para ir à toca dos leões e enfrentar seus desafetos, enquanto a oposição se apequenava novamente, repetindo velhos chavões de tribuna.

Rara exceção entre os tucanos e assemelhados que só pensam em impeachment, o senador cearense Tasso Jereissatti deu uma enunciação serena sobre o exposição presidencial, dizendo que agora a presidente precisa dar perenidade ao diálogo para tornar concretas suas propostas econômicas, que é o que todos esperamos. Caso contrário, argumentou ele, daqui a duas semanas tudo será esquecido.

Fonte: Ricardo Kotscho