Diálogo entre padrasto e mãe de Joaquim não será usado como prova, diz promotor
iG São Paulo
Gravação realizada por PMs sem autorização da Justiça não terá valor legal. Áudio foi divulgado pelo FantásticoA conversa gravada por PMs logo após o sumiço do menino Joaquim, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, não será usada como prova durante o inquérito contra o casal. A declaração é do promotor Marcus Túlio Alvez Nicolino ao Fantástico, da TV Globo. No áudio, divulgado pelo programa neste domingo, o casal comenta o desaparecimento da criança.
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Entenda: Gravação mostra casal discutindo sumiço de Joaquim
Segundo Nicolino, a gravação foi realizada sem autorização da Justiça e sem permissão do casal. "Como os áudios foram obtidos de maneira ilegal, não servirão como provas", disse. Os policiais justificaram a ação pois estariam preocupados com a criança que era diabética e poderia estar sem a insulina. Um gravador foi escondido na cama de Guilherme Longo e Natália Ponte logo após a chegada dos militares.
Veja as fotos do caso Joaquim:

Arthur Paes, pai de Joaquim, carrega caixão do filho durante enterro nesta segunda-feira (11)
Foto: Futura Press

A avó materna de Joaquim, Cristina Ponte, durante o velório em São Joaquim da Barra nesta segunda-feira (11)
Foto: Futura Press

Familiares, amigos e moradores de São Joaquim da Barra participam do velório do menino Joaquim Ponte Marques, de 3 anos
Foto: Alfredo Risk/Futura Press

O padrasto de Joaquim, Guilherme Raymo Ponte, foi preso como principal suspeito da morte do menino
Foto: Futura Press

Os pais Natália (verde) e Arthur Paes prestam depoimento em Barretos (SP), após policiais encontrarem o corpo do menino Joaquim, de 3 anos
Foto: Alfredo Risk/Futura Press

Calça do pijama de Joaquim apreendido pela Polícia
Foto: Futura Press

Joaquim Ponte Marques, de 3 anos, estava desaparecido desde a última terça-feira (5). Ele foi encontrado morto no início da tarde do último domingo
Foto: Futura Press
Na gravação, o padrasto demonstrou estar preocupado com a desconfiança da polícia. "Não é possível o moleque ter sumido assim. O pior é que está todo mundo desconfiando de mim, amor", disse Longo à mulher. Em resposta, Natália pergunta se o marido conseguiu comprar drogas na noite anterior. Após isso, ela chora e diz querer o filho de volta. "Temos que ficar com a cabeça boa para procurá-lo, amor", encerra Longo.
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O caso
O corpo do menino foi encontrado no domingo boiando no Rio Pardo, em Barretos. Exame feito pelo Instituto Médico-Legal (IML) comprovou que Joaquim foi jogado no rio já sem vida, pois não havia água nos pulmões. A mãe, que conheceu Longo na clínica de recuperação onde ele estava internado, defendeu a inocência do companheiro até a prisão.
Nos novos depoimentos, Natália revelou que o casal brigava e que o companheiro via a criança como um empecilho na vida deles. Natália afirmou que Longo tratava a criança como "um pedacinho do Arthur", o pai biológico da criança, Arthur Paes. E que ela pensava em se separar, mas teria sofrido ameaças. "Se você for embora, eu te acho até no inferno", teria dito o padrasto.
Um cão farejador da polícia identificou rastros do padrasto em um trajeto de sua casa até um ponto na beira do Rio Pardo, onde a polícia acredita que a criança tenha sido jogada. Imagens de duas câmeras de segurança obtidas pela polícia, e mantidas em sigilo, mostram sem identificar uma pessoa passando pelo local com um pano escuro e voltando sem nada. Natália e Guilherme estão em prisão temporária.
A polícia também não descarta a participação da mãe na morte da criança. "Ela ainda é suspeita", disse o delegado. O advogado de Longo, Antonio Carlos de Oliveira, não teve acesso ao inquérito policial e disse que não poderia comentar o caso. Ele vai pedir à Justiça acesso aos documentos.
Fonte: Notícias do Último Segundo: o que acontece no Brasil e no Mundo