Despoluição de lagoas do Rio aguarda contrato para transpor do papel até Olimpíadas

Léo Valente Santiago. Rio de Janeiro, 10 fev (EFE).- Parte das estruturas olímpicas do Rio de Janeiro, o parque e a vila onde ficarão os atletas, terão um vizinho incômodo caso o multíplice de lagoas de Jacarepaguá e da Barra da Tijuca não passe pelo processo de despoluição previsto em projeto da Secretaria Estadual do Ambiente, mas paralisado devido a discordâncias com o Ministério Público Federal (MPF). S alerta é do biólogo Mario Moscatelli, que labareda a atenção não só para o mau cheiro provocado pelo detrito irregular de lixo e esgoto nas lagoas, mas também para a perda de biodiversidade provocada pela interferência da urbanização acelerada. "Em 80 anos, nós dizimamos praticamente toda a biodiversidade dessa região. E não são só os animais. Normalmente, você tem a eliminação de gás sulfídrico e metano, que é aquele cheiro de 'ovo podre' porque a chuva das lagoas recebe um volume de esgoto muito grande", explicou o biólogo em seguida uma visitante com o secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, à Lagoa da Tijuca. A visitante serviu para determinar as condições do lugar, um dos que devem suportar mediação do governo do estado caso o impasse com o MPF em relação ao projeto seja dissoluto. Entre as ações previstas, está a construção de uma ilhéu-parque sintético na Lagoa da Tijuca, segundo o secretário, aproveitando uma extensão do espelho d'chuva já bastante assoreada. "A núcleo desse projeto é melhorar a troca do mar com a lagoa, ou seja, o mar circunvalar . Nós vamos fazer canais para aumentar essa troca de chuva com o mar", detalhou Corrêa. Para o secretário, os argumentos do MPF são "procedentes" quanto à "estudo do ponto de vista dos fluxos de chuva que considera que a gente vai, vamos expor assim, tomar uma secção do espelho d'chuva, mas essa secção já foi tomada". De convenção com Corrêa, os recursos para os trabalhos no multíplice lagunar de Jacarepaguá -que inclui as lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca e Marapendi, além do ducto da Joatinga- já estão assegurados. Cerca de R$ 650 milhões seriam empregados para, entre outros serviços, fazer a dragagem das lagoas, ou seja, retirar o excesso de sedimentos acumulados na chuva, além de edificar a ilhéu-parque sintético. Em algumas áreas, a maré subida atinge em torno de 40 centímetros. Já na maré baixa, é provável ver a formação de ilhas com material aglomerado. Moscatelli lembrou que a degradação do sistema lagunar "não interessa a ninguém" ao comentar que o mau cheiro provocado pelos dejetos não prejudica exclusivamente os peixes, mas também empresários, pescadores e moradores das redondezas. Para o biólogo, a visibilidade dada pelos Jogos Olímpicos ao problema foi primordial para que se buscasse uma solução. "Esses 600 e tantos milhões só foram viabilizados devido aos Jogos Olímpicos. Essa situação de estado terminal das lagoas não é novidade", comentou Moscatelli, acrescentando que o poder público "só liberou os recursos devido aos legados ambientais associados" ao evento esportivo. Por sua vez, Corrêa acredita que a mediação terá impacto não só na conservação do sistema, mas também na relação do carioca com o entorno. "Com exceção desse bairro cá (Península), onde os prédios são virados para a lagoa, ao longo do tempo a gente ficou de costas para ela e eu acho que essa ilhéu contribui para esse sentimento de pertencimento, de as pessoas visitarem, e quanto gente visitar, quanto gente olhar, gente ofídio do poder público", acrescentou. A expectativa agora é de um entendimento entre as partes para que o projeto possa ser disposto em prática e a despoluição ocorra antes do início dos Jogos Rio 2016. Caso fosse iniciado imediatamente, o biólogo avaliou que levaria entre 24 e 30 meses para permanecer pronto, ou seja, em seguida as Olimpíadas. "Esse projeto, provavelmente, vai ter de ser setorizado, privilegiando inicialmente as áreas olímpicas e, eriormente, tendo ininterrupção em seguida as Olimpíadas. Eu não vejo problema qualquer. S que é importante é que o projeto seja iniciado e termine independente de ser durante as Olimpíadas ou depois", defendeu o ambientalista. EFE lvs/rsd (foto)(vídeo) Fonte: R7 - Mais Esportes