Desigualdade reduz expectativade vida de mulheres na Grande BH

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Em cidades com indicadores socioeconômicos ruins, elas chegam a viver até seis anos a menos

Vera Lúcia Rosário da Silva, aposentada, 72, moradora de Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte. Mara Rodrigues Vianna, aposentada, 82, residente na capital. Embora somente 16 km separem as idosas no planta, seis anos e meio as distanciam quando o matéria é expectativa de vida.

De pacto com uma pesquisa da UFMG, publicada no término de 2019, que analisa a discrepância entre médio que a população vive em 21 dos 34 municípios da região metropolitana, enquanto mulheres de BH, Esmeraldas, Pedro Leopoldo e Mateus Leme têm expectativa de chegar, em média, até os 83 anos, moradoras de Ibirité, Santa Luzia, Ribeirão das Neves e São Joaquim de Bicas tendem a comemorar seis aniversários a menos, alcançando, no sumo, os 77 anos. 

Segundo a professora de epidemiologia e saúde pública da UFMG Waleska Caiaffa, fatores porquê ensino, saúde e distribuição de renda são preponderantes para a longevidade dos habitantes de uma cidade. “O que observamos é que as áreas com maior expectativa de vida são aquelas com níveis socioeconômicos melhores”, comentou. “Esses seis anos e meio representam uma diferença muito grande, é um hiato que precisa de políticas públicas integradas para ser resolvido”, defendeu a pesquisadora.

Desigualdade

Indicadores socioeconômicos foram outro fator assinalado porquê determinante na média de expectativa de vida. Segundo dados do Instituto Brasiliano de Geografia e Estatística (IBGE), a renda per capita em Belo Horizonte chega a ser quase três vezes maior do que em cidades que apresentaram tempo médio de vida mais grave. Enquanto em BH a renda per capita é de R$ 1.497,29, em Ibirité, por exemplo, o valor é de somente R$ 525,64. Ribeirão das Neves tem o menor número, com média de R$ 479,77 por habitante.

O percentual de pessoas vulneráveis à pobreza também é maior nas cidades com menor expectativa de vida. Em São Joaquim de Bicas, a população que se encontra nessa situação representa 32,98% do totalidade de moradores, contra exclusivamente 13,89% em BH. A média na região metropolitana é de 19,33%.

Nos níveis educacionais, o cenário em BH também é muito mais positivo. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal específico para a Ensino (IDHM Ensino) da capital é de 0,737, enquanto em São Joaquim de Bicas, o nível chega a 0,518. No estudo da UFMG, a ensino foi identificada porquê um ponto que poderia aumentar em média, 5,3 anos na expectativa de vida de um quidam. “Deve-se trabalhar sob a ótica dos determinantes sociais, em que o aproximação à ensino seja igual para todas as pessoas. A partir daí elas terão informações para mitigar e prevenir doenças, por exemplo”, explicou Waleska.

Falta de oportunidades gera impacto na qualidade de vida

A aposentada Mara Rodrigues Vianna, 82, nasceu em 1937, no Vale do Jequitinhonha, e veio morar na capital aos 10. Filha de um médico que se elegeu deputado, ela teve uma vida de boas oportunidades. Estudou idiomas e trabalhou porquê secretária do governador José Francisco Bias Fortes, que foi director do Executivo Estadual entre 1956 e 1961. 

“Meu pai me deu um apartamento perto do Escola Arnaldo (no bairro Funcionários, na região Meio-Sul de BH). Cheguei a ir para São Paulo por um tempo, mas voltei e morei no apartamento sozinha. Estudei muito e trabalhei muito”, contou Mara do jardim da moradia de repouso onde vive há seis anos, no bairro Cidade Jardim, também na região Meio-Sul. A idosa nunca se casou ou teve filhos, mas tem muitos sobrinhos e irmãos que a visitam com frequência. “É bom ter família, não é?”, comentou.

Atualmente, Mara se trata de uma depressão, mas não tem nenhum outro problema de saúde. “Eles têm tudo cá, fisioterapia, dança, música, e passam medindo a pressão da gente todo dia. Comigo está tudo muito, não tenho zero, graças a Deus. A vida é boa demais”, afirmou.

Para a aposentada Vera Lúcia Rosário da Silva, de 72 anos, é muito provável que mais tempo devotado aos estudos teria mudado a veras em que ela vive hoje. Mãe de dois filhos, a idosa nasceu em BH, mas se mudou para Ibirité há 33 anos. “Trabalhei porquê autônoma, peguei muito peso na vida. Se eu tivesse estudado mais, tenho certeza de que teria uma profissão melhor, mais ligeiro, e minha saúde estaria melhor do que está hoje”, avaliou.

Vera faz tratamento contra hipertensão, diabetes, asma, hérnias de disco e problemas na visão. Sem condições para continuar a remunerar um projecto de saúde, ela vai depender do serviço público para se cuidar. “Eu espero que consiga encontrar tudo o que preciso, mas o serviço cá é muito precário, falta muita coisa, principalmente remédio”, reclamou.

O primeiro neto de Vera nasce em alguns meses e a aposentada é só expectativa. “É uma alegria para todo mundo, né?”. Questionada sobre os anos a mais que o endereço pode dar a mulheres que moram em cidades porquê a capital, ela é categórica: “A mulher em BH tem mais facilidades. Os políticos poderiam fazer mais, eles conhecem a situação da cidade, eles sabem de tudo”, argumentou.  Procurada pela reportagem para comentar as críticas de Vera, a Prefeitura de Ibirité não havia se manifestado até o fechamento desta edição.

Políticas públicas

As prefeituras das cidades citadas na reportagem foram procuradas e, com exceção de Ibirité, que não havia respondido até o fechamento desta edição, informaram manter políticas públicas nas áreas de saúde, ensino, combate às desigualdades sociais e promoção da longevidade. Os municípios afirmaram ter programas de assistência à população de baixa renda e oferta de serviços a mulheres, mormente as que se encontram em situação de vulnerabilidade. 

E os homens?

Segundo a pesquisa da UFMG, a diferença da expectativa de vida entre homens de diferentes municípios da região metropolitana de BH chega a quatro anos. No entanto, enquanto mulheres vivem, em média, 81 anos, homens tendem a chegar aos 71. 


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