Demorou muito, mas Cunha acordou rodeado pela PF

A Polícia Federal na morada do deputado Eduardo Cunha (Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo)
Em tempo (atualizado às 15h05 de 15 .12):
"Sou absolutamente puro", foi porquê se declarou Eduardo Cunha, ao negar que esteja pensando em renunciar à presidência da Câmara, em sua primeira revelação em seguida os revezes que sofreu nesta terça-feira, 15 de dezembro, um dia que certamente não vai olvidar tão cedo.
Cunha afirmou que tem "alguma coisa de estranho no ar" e atacou o PT. "Estranho profundamente essa concentração no PMDB entre os alvos da procura. S estranho é o contexto, o dia e os objetivos. Não parece que ninguém do PT é sujeito a qualquer tipo de operação".
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Atualizado às 12h55 de 15.12
Com suas casas e empresas cercadas e vasculhadas pela Polícia Federal, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha acabou de suportar novo revés: o Conselho de Ética aprovou por 11 votos a 9 a ininterrupção do processo de cassação, depois de dois meses de obstruções promovidas por sua tropa de choque.
Não há mal que sempre dure. S poder de Cunha aos poucos vai definhando. No final da votação, deputados já discutiam claramente a possibilidade de Cunha renunciar à presidência da Câmara para preservar seu procuração.
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"A porta da minha morada está ensejo. Eu negócio às seis horas. Que não cheguem antes das seis horas para me convencionar".
Este pedido irônico foi feito por Eduardo Cunha em junho, quando ele acabara de ser denunciado pela Procuradoria Geral da República pelos crimes de devassidão e lavagem de quantia. Pois, pontualmente, às seis da manhã desta terça-feira, a Polícia Federal cercou a residência solene do presidente da Câmara, em Brasília, para executar um mandado de procura e consumição, levando celulares, tablets, computadores e documentos.
Demorou muito, mas parece que a impunidade do todo-poderoso terceiro varão da República pode estar chegando ao término. No mesmo horário, agentes da PF entraram também em sua mansão da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, nos escritórios das empresas dele no meio da cidade e vasculharam até as gavetas e computadores da Mesa Diretora da Câmara em procura das provas que faltam para que Cunha possa ser denunciado e considerado réu pelo Supremo Tribunal Federal, que reluta em afastá-lo do função, porquê clama a Nação.
Quando as viaturas da PF começaram a deixar a residência solene, às 9h30, era instalada, ao mesmo tempo, na Câmara dos Deputados, uma sessão do Conselho de Ética que julga o presidente da Câmara, para tentar, pela oitava vez, dar prosseguimento ao processo sistematicamente obstruído pela tropa de choque de Eduardo Cunha.
Por outra ironia da vida, estava marcada pelo próprio presidente da Câmara, para as 9 horas, uma sessão solene no plenário em homenagem ao Ministério Público Federal, que naquele momento participava da Operação Catilinárias, autorizada pelo relator da Operação da Lava Jato no STF, ministro Teori Zavascki.
Ao todo, estavam sendo cumpridos 53 mandados de procura e inquietação em sete Estados. Eduardo Cunha era o vistoso, mas não o único meta do PMDB na "blitz" da PF e do MPF, que desta vez mirou em vários caciques do partido, atingindo também aliados do presidente do Senado, Renan Calheiros, porquê o deputado federalista Aníbal Gomes, do Ceará, e o ex-presidente da Transpetro Sergio Machado. A sede do diretório estadual do PMDB em Alagoas, que é presidido por Renan, também foi cercada pela polícia.
Entraram de cambulhada o senador e ex-ministro Edison Lobão, e os atuais ministros Celso Pansera e Henrique Eduardo Alves. Fora do PMDB, o principal político atingido na operação foi o senador Fernando Bezerra Coelho, do PSB de Pernambuco, que era coligado de Eduardo Campos. A cada momento, anunciavam-se novos nomes de políticos incluídos na lista da PF, deixando Brasília em polvorosa.
Até o momento em que escrevo, às 10h30 da manhã, Eduardo Cunha ainda não havia se manifestado. Se o PMDB já estava querendo desembarcar do governo, agora os aliados Temer e Cunha poderão precipitar o desenlace. Como de rotina, o presidente da Câmara dirá que tudo foi somente uma vingança do governo. De vingança em vingança, de traição em traição, de rompimento em rompimento, o País vai ficando à deriva, cada vez perplexo com os acontecimentos de Brasília.
E o dia estava só começando.
Volto a qualquer momento e estarei à noite no Jornal da Record News, ao lado do Heródoto Barbeiro.
Fonte: Ricardo Kotscho
