delegados e policiais embolsam mais de R$ 19 milhões

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Mais de R$ 19 milhões foram desviados em propinas por organização criminosa composta por delegados, policiais civis e militares, despachantes, comerciantes e donos de pátios de inquietação de veículos em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Minas Gerais (RMBH).

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou na quinta-feira (12/12/2019) 16 pessoas que participavam das irregularidades envolvendo o Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG). Foram recolhidos mais de R$ 840 milénio pela força-tarefa, a maior consumição feita neste ano pelo Grupo de Atuação Peculiar de Combate ao Transgressão Organizado (Gaeco).

O esquema é macróbio e foram identificados crimes cometidos pelo menos desde 2011. A investigação apontou que a organização atuava em praticamente todos os serviços do Detran em Santa Luzia: liberação e transferências de veículos, realização de vistoria e leilões e contava até com a participação de policiais nos lucros de pátios de inquietação do município, licenciados ilicitamente.

Há imagens que mostram o meandro de peças e equipamentos de veículos apreendidos. A organização também fazia blitzes pela Polícia Militar (PM) para a consumição de veículos.

“Com a liberação, ganhavam propina. Aliás, identificamos a consumição simulada de veículos no sistema, com o objetivo de apressar a liberação. Ele era apreendido no sistema da Polícia Social (PC) e, em seguida, a consumição era cancelada. O coche nem chegava a ir para o recinto”, afirma a promotora de Justiça do Gaeco Paula Ayres Lima.

A cobrança de propina era a exigência para que serviços fossem executados com rapidez. De pacto com a denúncia, o representante de polícia Christian Nunes de Andrade chefiava o esquema, ficando com metade da propina desviada e 10% dos valores dos leilões. Na morada dele, foram apreendidos carros e motos de luxo. O mandatário e mais oito presos estão presos.

“O mandatário Christian é o director do esquema e o principal beneficiário”, diz promotora.

Penas somam 208 anos

A operação, batizada de “Cataclisma”, identificou crimes de depravação ativa, passiva, organização criminosa, peculato, inserção de dados falsos nos sistemas de informação e lavagem de numerário, com penas que somam 208 anos.

As investigações começaram há três anos, a partir de denúncias anônimas de pessoas lesadas pelo grupo, formado por policiais civis, militares, despachantes, comerciantes e donos de pátios de consumição de veículos em Santa Luzia.

Segundo a força-tarefa, um dos denunciantes, um varão cuja renda é de um salário mínimo, precisou remunerar R$ 140 para a liberação do documento do veículo, que havia comprado para trabalhar. Os valores de propina cobrados eram variáveis, a partir de R$ 20.

Em 28 de novembro, foram cumpridos 46 mandados de procura e consumição e 13 mandados de prisão temporária. Somente na residência de uma servidora pública a força-tarefa encontrou a quantia de R$ 558 milénio em moeda.Continua depois da publicidade

“É difícil precisar quanto foi embolsado, mas pela quebra de sigilo fiscal e bancário, os envolvidos apresentaram uma movimentação bancária incompatível”, afirma.

O grupo estima montante de R$ 19 milhões. A operação foi realizada em conjunto com o MPMG, PC, PM e Receita Estadual. A investigação também identificou esquema semelhante em Lagoa Santa, na Grande BH, ainda em apuração.

Denunciados pela Operação Cataclisma

Christian Nunes de Andrade, mandatário de polícia 

Marcelo Nonato Magalhães, investigador de polícia 

Cláudia Márcia da Silva, investigadora de polícia 

Emerson Rodrigues, servidor público municipal 

Paulo Roberto Ferreira Rosa, policial social 

Wagner Tadeu Pereira Seixas, policial social 

Rodrigo Palhares Horto, policial social 

Nélio Aristeu Zeferino, policial militar 

João Pedro Martins, empresário 

Bárbara Flaviane dos Santos, empresária 

José Moreira de Souza, gerente de recinto de inquietação 

Ida do Carmo Bacelete, delegada de polícia 

Any Aparecida Fernandes Bacelete Belchior Roberto de Rezende Lara, vigilante 

Gliber Dias Machado, mercador 

Manadeira: CB


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