Defesa aponta braço-direito da vítima como “verdadeiro suspeito” por assassinato

Wanderley Preite Sobrinho

Para promotoria, estratégia da defesa de Gil Rugai é um "tiro no pé"

Como prometido desde o início do julgamento, os advogados de defesa de Gil Rugai apontaram um novo suspeito para o assassinato de Luiz Carlos Rugai e Alessandra de Fátima Troitino, pai e madrasta de Gil, único réu do processo. De acordo com o advogado Marcelo Feller, o ex-funcionário de Luiz Carlos em sua produtora de vídeo Agnaldo Silva mentiu em seu depoimento à polícia ao dirigir a suspeita para Gil Rugai.

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Na ocasião, Agnaldo - considerado um homem de confiança da vítima - afirmou que pai e filho tiveram uma discussão de quatro horas a portas fechadas na sede da empresa no dia 23 de março de 2004, cinco dias antes do duplo homicídio. Teria sido depois da briga que o rapaz, então com 21 anos, foi expulso de casa e afastado da Referência Vídeos.

Para tentar desconstruir essa tese, a defesa apresentou extratos telefônicos "ignorados no processo" com ligações trocadas entre Gil e Luiz Carlos Rugai no horário em que os dois teriam discutido: entre 19h e 23h. O motivo para os contatos seria o jantar que os dois planejaram para aquela noite. "Nesse horário, Gil fez diversas ligações para diversas pessoas. Ele e o pai se falaram por telefone. Pergunto: estavam os dois trancados na mesma sala falando um com o outro pelo celular?", questiona Feller. "Qual motivo que o Gil teria para matar o pai se ele não brigou e nem foi expulso por ele? O motivo para a acusação é mentiroso."

O advogado contou que Agnaldo havia recebido a promessa de se tornar chefe de um cooperativa planejada por Luiz Carlos. Por essa razão, ele foi desligado da Referência, mas ao cabo de um ano a promessa não havia sido cumprida e o ex-funcionário entrou com uma ação trabalhista cobrando R$ 600 mil. Questionado se Agnaldo era o assassino, Feller foi cauteloso: "Não sei se ele matou, mas ele tinha bastante motivo para isso. Somente duas pessoas tinham a chave da casa de Luiz: o Agnaldo e o Gil. Então por que ele também não foi investigado?"

Advogado de defesa Thiago Anastácio, durante chegada ao Fórum da Barra Funda, nesta terça-feira

Advogado de defesa Thiago Anastácio, durante chegada ao Fórum da Barra Funda, nesta terça-feira

Foto: Alice Vergueiro/Futura Press

Réu Gil Rugai chega ao segundo dia do júri popular, em SP. 'Eu não matei. Sou inocente', disse

Réu Gil Rugai chega ao segundo dia do júri popular, em SP. 'Eu não matei. Sou inocente', disse

Foto: Alice Vergueiro/Futura Press

O perito Adriano Issamu Yonanime, ao deixar o Fórum da Barra Funda

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Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG

Defensores ocupam lugar no Salão do Júri no fórum. Cinco homens e duas mulheres decidirão o futuro de Rugai

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Foto: Alice Vergueiro/Futura Press

Juiz Adilson Simoni (ao centro) e equipe de acusação no plenário do Fórum Criminal da Barra Funda

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Foto: Alice Vergueiro / Futura Press

Gil Rugai chega ao Fórum da Barra Funda, em São Paulo, com a mãe e o irmão

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Foto: Futura Press

Promotor Rogério Zagallo durante entrevista no primeiro dia do júri, em SP

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Foto: Alice Vergueiro / Futura Press

Perito Ricardo Molina, convocado para auxiliar a defesa, concedeu entrevista aos jornalistas em frente ao fórum

Perito Ricardo Molina, convocado para auxiliar a defesa, concedeu entrevista aos jornalistas em frente ao fórum

Foto: Alice Vergueiro/Futura Press

Léo Rugai, irmão do réu, chega ao Fórum Criminal da Barra Funda para acompanhar o julgamento

Léo Rugai, irmão do réu, chega ao Fórum Criminal da Barra Funda para acompanhar o julgamento

Foto: Terra Britto/Futura Press

Descrença

O promotor Rogério Zagallo mostrou descrença em relação à tese da defesa. Ele conta que Gil confirmou à polícia que esteve na Referencia naquele dia, e que a conversa iniciada no restaurante se prolongou até a casa. "Ele faltou com a verdade. Amanhã eu convido a todos para ver Gi Rugail ser condenado."

Zagallo também considerou um "tiro no pé" a estratégia dos defensores de proibir que seu cliente respondesse às perguntas da promotoria durante seu depoimento de hoje. "Ainda que seja possível pela Constituição, quem, sendo inocente, não iria gritar a plenos pulmões a sua inocência? Que inocente se esconde atras da frase "prefiro silenciar?"

Fonte: Notícias do Último Segundo: o que acontece no Brasil e no Mundo