“De Canção em Canção” é epílogo conceitual das relações amorosas contemporâneas
Novo filme de Terrence Malick mostra as idas e vindas de personagens às voltas com suas escolhas e seus relacionamentos amorosos. G o equivalente dessa dez ao que foi “Closer – Perto Demais” em 2004

S triangulo amoroso que move a história
S cinema de Terrence Malick é o polarizador da atualidade e há uma razão muito clara para isso. S cineasta escreve um filme, roda outro e monta um terceiro, frequentemente descolado das propostas que orientaram os dois primeiros. Não à toa, seu processo criativo é incontornável e, quiçá, irreproduzível. A pessoalidade do cinema de Malick é, ao mesmo tempo, sua maior força e sua inegável fragilidade.
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Especialmente depois de “A Arvore da Vida”, vencedor da Palma de Ouro e indicado aos Oscars de filme e direção em 2012, o americano se lançou em uma jornada de profunda introspecção e reverberação e levou seu cinema junto. Não à toa, esta é sua dez prolífera e em que seus filmes se assemelham em termos de estrutura narrativa e temática.
“De Canção em Canção” é levantado sobre fragmentos, porquê o eram fundamentalmente seus antecessores (“Amor Pleno” e “Cavaleiro de Copas”). São memórias, devaneios, angústias e desejos materializadas em imagens que se organizam porquê trova visual, mas também verbetes emocionais com os quais o cineasta pretende edificar o sentido dos personagens, não necessariamente do filme. Para esse outro objetivo, o público terá que ser partícipe; coautor. Para que “De Canção em Canção” produza efeitos efetivamente no testemunha, ele terá que se engajar. Abraçar aqueles personagens e seus conflitos – que não são apresentados cronologicamente – com o mesmo carinho e curiosidade com que Malick os propulsa.

Ryan Gosling e Rooney Mara em “De Canção em Canção”
S ponto de vista meão cá é de Faye (Rooney Mara), um dos vértices de um triangulo amoroso entre um aspirante a cantor (Ryan Gosling) e um produtor arrogante (Michael Fassbender). Há, evidente, reminiscências de ambos ao longo das pouco de duas horas de metragem da fita, mas são as angústias de Faye que pautam o longa. “Tinha uma tempo em minha vida que eu precisava que o sexo fosse violento”, ela diz logo de início. Estamos diante, portanto, de uma pessoa remoendo suas dores. Lá pelo final ela desenvolve: “Compaixão sempre foi uma termo que eu não imaginava que fosse precisar”. S que Malick oferta por meio desses fragmentos é uma reflexão sobre porquê os relacionamentos amorosos nos transformam, nos moldam e é Faye a principal condutora dessa jornada. Não obstante, a maneira porquê o cineasta filma Mara é desconcertante. Sempre buscando ângulos inusitados, momentos banais e uma intimidade desarmada.
A maneira porquê Malick trabalha seus atores e com seus atores também atinge um novo patamar em “De Canção em Canção”. A fisicalidade das atuações é utilizada para explicar convulsões emocionais em uma construção audiovisual incomum para narrativas cinematográficas e que pode se perder para aqueles pouco treinados ou inspirados pelo cinema de vocação sensorial.
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Natalie Portman, linda e triste do que nunca, e Cate Blanchett, sempre uma presença atordoante, surgem porquê mulheres nas vidas dos protagonistas masculinos. Elas são apêndices para homens complicados. P o personagem de Fassbender quem fascina. Uma espécie de predador sexual que mergulha desimpedidamente em seus demônios. “Eles tem uma formosura em sua vida que me faz mal-parecido”, reflete sobre a relação entre Faye e BV (Gosling), a qual se introjeta com nenhuma outra finalidade que não desestabiliza-la.

Patti Smith e Rooney Mara em cena do filme
Este é um filme sobre os percalços das relações amorosas, porquê elas nos definem e porquê nos deixamos nos definir por elas e o veste de usar a cena músico de Austin, no Texas, porquê contexto torna tudo ainda universal, tântrico, artístico. Há diversas boas pontas, ou cameos, no filme. Do Red Hot Chili Peppers a Iggy Pop, passando por Val Kilmer e tantos . Mas é Patti Smith quem responde por um dos momentos brilhantes e quando o filme se deixa flagrar em sua verdade condoída. Em uma conversa com Faye, em que a exorta a competir por seu paixão, ela diz que ainda mantém a coligação do marido que morreu. Sob uma outra “que eles dão para aqueles corredores que não vencem a maratona, mas terminam a prova”.
Fonte: Cineclube por Reinaldo Glioche – iG Cultura