Dá para renovar esperanças sem vender ilusões?
Para que servem as eleições?
Faço-me esta pergunta ao observar, por obrigação de ofício, o que anda acontecendo na campanha para as eleições municipais de 2 de outubro, daqui a três semanas.
Nas entrevistas, debates e na propaganda eleitoral, os candidatos prometem qualquer coisa para lucrar o voto do sufragista.
S mantra de todos é que dá para fazer "mais e melhor", consertar tudo o que está falso e edificar o que falta em seis meses.
Como?, eu pergunto, se todos sabemos que o quantia acabou e muitos governos pelo país afora não conseguem nem remunerar os salários do funcionalismo.
Por toda secção, encontramos obras abandonadas, serviços públicos parando, o lixo se espalhando pelas ruas esburacadas, que ameaçam pedestres e motoristas, o mato crescendo, tornando cada vez precário nosso sagrado recta de ir e vir.
A confiar nas propagandas, a saúde pública vai oferecer atendimento melhor do que o Einstein e o Sírio juntos, acabando com as filas nos pronto socorros.
A máfia dos fiscais vai parar de roubar, entregar o moeda surrupiado dos contribuintes e se destinar à benemerência.
Nossas escolas municipais servirão de exemplo de ensino de qualidade para o Santa Cruz e o Bandeirantes.
A merenda escolar, que não terá verbas desviadas, será de dar inveja ao Alex Atala.
Assim é o jogo, campanha depois campanha, eleição depois eleição. Costuma-se expor que só é mal-parecido perder.
Fica uma disputa para ver quem vai remunerar salários altos a médicos e professores, edificar creches e escolas, iluminar ruas, terebrar novos corredores de ônibus, multiplicar a guarda municipal, oferecer de tudo e cobrar menos taxas e impostos.
Vão me expressar que sempre foi assim, mas levante ano, sem a grana preta das grandes empresas, que bancavam as campanhas com marqueteiros de grife, esperava-se que leste cenário fosse mudar.
Eleição, qualquer eleição _ o instrumento democrático por superioridade que nos dá o recta de mudar o fado com as próprias mãos _, respondendo à pergunta que fiz na lhaneza, deveria servir, antes de zero, porquê um tempo de renovação de esperanças, mas continua servindo somente para vender ilusões.
E medida em que a campanha avança, os candidatos repetem suas propostas porquê um mantra, qualquer que seja a pergunta.
Se eleitos, e são cobrados por não fazer o que prometeram na campanha, botam a culpa nas crises e heranças malditas que os deixaram sem recursos.
De tanto repetir as propostas impossíveis, acabam acreditando nelas.
Durante as campanhas, os candidatos têm soluções para tudo, as formas simples para resolver os problemas complexos.
Uma vez vitoriosos, logo começam a se queixar do aumento das despesas e da queda na arrecadação.
A repetição do mesmo enredo, muitas vezes com os mesmos personagens, vai cansando e desencantando o eleitorado, a tal ponto que, hoje, se não fosse obrigatório, boa secção nem iria votar. Votar para quê?, perguntam-se.
Pertenço à geração que ocupou as ruas do país, em 1984, enfrentando uma ditadura militar, para reconquistarmos o recta de escolher o presidente da República em eleições diretas.
De lá para cá, cada eleição era uma sarau, casas e veículos enfeitados com propaganda dos candidatos, carros de som percorrendo as ruas, crianças cantando os jingles, enormes carreatas cruzando as cidades, comícios que eram verdadeiras celebrações da democracia.
Em 2016, não há sinais em secção alguma de que estamos na reta final de uma eleição, reinam o silêncio e o desinteresse, poucos se animam a discutir as propostas dos candidatos.
G o que temos para o momento.
Vida que segue.
Fonte: Ricardo Kotscho
