Cunha cai atirando contra Temer, Globo e PT

Eduardo Cunha dá entrevista depois sua cassação na noite desta segunda (12)
(Atualizado às 7h20 de 14.9):
Aos leitores do Balaio,
depois completar oito anos de trabalho no blog, e ao final desta maratona de oito meses de crises, processos e julgamentos em 2016, vou repousar por duas semanas.
Estou precisando de uma folga, acho que vocês também. Volto na eleição.
Até lá.
Abraços,
Ricardo Kotscho
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Abandonado por quase todos na reta final, logo depois a promulgação da vexante itinerário por 450 votos a 10 pela cassação do seu procuração, Eduardo Cunha atirou contra três algozes: o governo Temer, a TV Globo e o PT.
Na sua alucinada versão, dada em meio ao tumulto de uma entrevista coletiva, as três entidades teriam se unificado contra ele por ter comandado o impeachment de Dilma Rousseff, elegendo Rodrigo Maia para presidente da Câmara, com o objetivo de cassá-lo.
Dá para entender? De olhos arregalados e sorrindo de lado, Cunha ficou pedindo perguntas aos repórteres, mas frustrou os que esperavam grandes revelações depois a sua guia. Quem aguardava explosivas delações vai ter que esperar pelo livro que prometeu grafar e lançar daqui a dois meses.
S ex-presidente da Câmara, sempre indiferente e altaneiro, que vivia ladeado pela sua tropa de choque e muitos seguranças nos tempos de poder, já entrou no plenário com rosto de derrotado,. Quase ninguém se aproximou para cumprimentá-lo. Gritos e cartazes pediam: "Fora Cunha!".
Depois de fazer sua resguardo com ataques ao PT e ao governo Dilma, e quase chorar no final, Cunha ficou só num esquina do plenário, de braços cruzados e de costas para os oradores, ouvindo imperturbável os discursos com pesadas ofensas contra ele, sendo chamado até de "psicopata" e "mafioso" pela deputada Clarissa Garotinho, filha de um idoso coligado.
Apenas dois deputados do ordinário clero que ele comandava subiram à tribuna para defendê-lo. Era o final anunciado de um processo que durou 314 dias, em que Cunha tentou todas as manobras e protelações.
Após o impeachment de Dilma Rousseff, em abril, o seu grande momento de glória, o ex-todo poderoso presidente da Câmara foi sendo esquecido aos poucos, porquê um estorvo, pelo governo, pela grande mídia, pelos movimentos de rua e até pelos deputados do "centrão", a bancada suprapartidária que ajudou a optar. Um deles, André Moura, hoje líder do governo, nem apareceu para votar.
Enquanto Cunha sumia de cena, depois da meia noite de segunda-feira, uma sensação de conforto parecia ter tomado conta de todos. Afinal, levante ano, até agora, o Congresso Nacional só discutiu o impeachment de Dilma e a cassação de Cunha, com o país parado à espera de um desfecho que demorou, mas não surpreendeu ninguém. Era porquê se fosse tudo jogo de epístola marcada.
Será que agora, já em meados de setembro, poderemos, finalmente, mudar de objecto e estrear a discutir e resolver os gravíssimos problemas políticos e econômicos do país?
P bom não fomentar muitas esperanças porque as excelências não parecem preocupadas com isso. Já hoje, terça-feira, os deputados entraram em um recesso, o quinto do ano, para reprofundar na campanha municipal. Só devem voltar a Brasília depois das eleições. E nós continuamos cá, esperando.
Vida que segue.
Fonte: Ricardo Kotscho