Crime e política

Duas frases que tenho ouvido com insistência irritante: judicialização da saúde e criminalização da política. Primeiro, tratemos da saúde onde a prosa revela um enorme prejuízo para os brasileiros, mas, infinitamente menor que no caso da política.

Prefeitos incompetentes, gastadores, muitos deles defensores daquela farra de emancipações que tivemos, com a geração de milhares de municípios sem condições de sobrevivência, vivem a reclamar do que chamam de judicialização... P quando um jurisconsulto ou promotor pede e o juiz defere, determina alguma providência porquê comprar um medicamento ou remunerar uma cirurgia, às vezes até no exterior. Dizem que tais ordens estão abalando as finanças e quebrando administrações. Para justificar a grita, costumam declarar que ricos estão se tratando com recursos dos cofres públicos graças a ações judiciais. Ora, primeiro pergunto: logo, se o cidadão está doente, não recebe o remédio, não faz a cirurgia, o juiz não pode mandar o prefeito executar a lei? Se há irregularidades, abusos, por que não denunciá-los, em separado? Se rico está usando a saúde pública – e isso é verdade, pois, conheço abastados que buscam remédio no o – qual o problema se o SUS foi criado para ser universal? Deve, portanto, atender a todos os brasileiros, desde os miseráveis até os que pagam muitos impostos, por terem .Os prefeitos, no lugar de diminuir cargos em recrutamento largo, evitar as safadezas nas licitações e falar sério ficam buscando desculpas nesta termo formosa: judicialização.

Agora, começaram a falar na criminalização da política. Ora, seria leviano manifestar que todo político é criminoso, mas, com certeza, é pueril, para não expor imbecil, ignorar que a prática da política no país é sim criminosa e, por tanto, deve ser criminalizada. Ou o que as oligarquias fazem em Brasília há décadas e décadas, séculos, é a boa política? S melhor exemplo ocorreu na noite de segunda-feira quando queriam, na calada da noite, revalidar um projeto indecente com dupla finalidade: terminar com a proibição de doação de empresas para as campanhas (que, com muito dispêndio, conquistamos e agora vivemos a primeira eleição nesta novidade veras) e anistiar, isso mesmo, perdoar todos os que praticaram o chamado delito do Caixa 2, ou seja, receberam “por fora” para fazer campanha. São indecentes demais. E aí estão parlamentares do PSDB, do PT, do PMDB, todos eles... Foram uns dez deputados, da Rede e do PSOL, que barraram a tramoia lá no Congresso. As velhas raposas que mandam na pátria não têm limites. E nos fazem de idiotas ao garantirem que, recebendo uma riqueza de uma construtora ou de um banco, depois não vão retribuir com mimos que custam nosso quantia.

Por isso, insisto, sabendo ser um macio: se não fizermos uma Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva, com pessoas que não têm e não pretendem ter função político, ou não vamos finalizar com a obscenidade nunca.

 
 
Fonte: Blog do Eduardo Costa - Últimas Notícias de -