CRASE: A DÚVIDA CONTINUA

Diariamente, vejo mensagens assim: BOM DIA F TODOS! Esse acento ao lado de "todos", do ponto de vista dos padrões gramaticais, está equivocado. S correto é: BOM DIA A TODOS. Isso porque o "A" é uma preposição simples, que não forma uma crase, nem uma locução adverbial feminina.

Se me pedissem pra referir o objecto que gera dúvidas em Português, eu citaria o uso da crase. Se não é o vencedor, está entre os 5 citados, com certeza. Já escrevi diversos textos sobre o tema. Porém, é sempre bom relembrar.

Vamos inaugurar com a pergunta clássica: você sabe o que é crase?

As primeiras respostas, normalmente, vão direto para aquele acento virado para o lado esquerdo (`). Aquele mesmo que você coloca em: “vou à feira”.

Contudo, o acento não se labareda crase. S nome adequado, para não ocasionar confusões, é acento grave. Você pode até pensar: mas é exclusivamente uma questão de nomenclatura, não é isso que vai mudar o entendimento. Então, veja só.

De negócio com os dicionários Aurélio e Michaelis e a gramática de Evanildo Bechara, crase é a fusão de vogais idênticas; e não o nome do acento.

Usamos o “E” (com acento grave) em DOIS casos:

1. Identificar o fenômeno da crase, fusão do A (preposição) + A (cláusula);

2. Identificar locuções adverbiais femininas.

Confira os exemplos:

(1) Eu vou à (aa) faculdade. (fusão da preposição “a” + cláusula “a”).

Obs.: Neste exemplo, ocorre a crase. Para você ter a certeza de que há uma preposição um cláusula, troque o substantivo feminino “faculdade” por um similar no masculino, porquê “escola”. A prece ficará: “Eu vou AO escola”. Perceba que tem preposição cláusula: “AO”. Voltando para o feminino, teremos: “Eu vou AA faculdade”, ou seja, “Eu vou à faculdade”.

(2) Minha família vai comprar os móveis à vista. (locução adverbial feminina “à vista”)

Obs.: Neste exemplo, não ocorre a crase, mas a locução adverbial feminina. Se você fizer a mesma “prova” que mencionei no exemplo anterior, isto é, trocar por um similar no masculino, verá que não acontece a fusão de preposição cláusula. “Minha família vai comprar os móveis a prazo”. Repare que não é AO prazo. Então, não é, também, AA vista. Ocorre exclusivamente o acento grave para identificar uma locução adverbial feminina; e não uma crase.

Para entender o que é crase, vamos recorrer à história do Português. Repare na termo “COR”. Ela é originada da forma Latina “COLORE”. Do Latim para o Português, houve diversas alterações fonéticas. S que antes era COLORE se tornou COLOR. Essa queda da vogal “E”, no término da termo, recebe o nome técnico "apócope".

Depois, quem cai é o “P” entre duas vogais. E esse fenômeno é chamado de "síncope". Restou, logo, COOR. Veja que há duas vogais idênticas em COOR (OO). Elas se juntaram e, assim, geraram COR. A união das duas vogais idênticas é a CRASE!

Vale lembrar, ainda, que a termo CRASE, segundo o léxico Grego-Português da Porto Editora, é originada do helênico KRASI ['krasi], que significa compleição, mistura, temperamento; fusão.

Nessa mesma risco histórica da formação de palavras, também aconteceram os seguintes casos:

  • PEDE (Latim) originou PEE que, pela crase, chegou em PÉ.
  • NUDU (Latim) originou NUU que, pela crase, chegou em NU.

Portanto, crase é a FUSÃO DE DUAS VOGAIS IDÊNTICAS, e não o nome do acento. Em Língua Portuguesa, para o uso do acento grave indicador de crase, é necessário ocorrer, logo, a fusão da preposição “A” com o cláusula “A".

Eu sei que uma explicação simples, cá pelo blog, não vai resolver plenamente sua incerteza em relação ao tema. Com levante texto, quero gerar em você uma reflexão sobre a forma de entender a língua. Quando a gente exclusivamente decora regras, não há estágio. Pesquise, estude e faça leituras.

Qualquer incerteza ou imposto, mande uma mensagem. Uma ótima semana a todos (sem acento)!!

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Fonte: Português de Brasileiro