Candidatura de Mercadante ao governo de São Paulo só depende de Dilma

Ricardo Galhardo

Ministro da Educação se aproximou da presidenta e, segundo dirigentes petistas, é hoje o nome mais forte no partido para a disputa do Palácio dos Bandeirantes

A definição do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, como candidato do PT ao governo de São Paulo depende apenas de uma decisão da presidente Dilma Rousseff. Segundo dirigentes petistas, Mercadante é hoje o nome mais forte no partido para a disputa do Palácio dos Bandeirantes. Dilma, no entanto, pode optar por manter o ministro em Brasília, possivelmente na Casa Civil. O PT quer definir o candidato ainda no primeiro semestre deste ano.

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Vários fatores pesaram a favor de Mercadante nos últimos meses. O principal deles é a proximidade do ministro com a presidente. A versão corrente no PT e em Brasília é que Mercadante se tornou o assessor mais próximo de Dilma, passando a ser conselheiro e confidente da presidente.

“Mercadante vive hoje o melhor momento de toda sua vida política”, disse um dirigente petista.

Também pesou em favor do ministro da Educação o fato de o PT priorizar a formação de um palanque forte para Dilma no maior colégio eleitoral do País mesmo que isso signifique reduzir as chances de desalojar o PSDB do Palácio dos Bandeirantes.

Mercadante concorreu nas duas últimas eleições a governador e não chegou nem sequer ao segundo turno. Correligionários avaliam que dificilmente ele conseguiria bater o governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição, mas seguramente chegaria ao patamar de 30% dos votos, garantindo uma boa votação para Dilma em São Paulo.

Os defensores da tese da novidade, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apostam na candidatura de Alexandre Padilha. O ministro da Saúde é o único capaz de unificar o PT caso Mercadante não seja o escolhido. Pesquisas internas, no entanto, mostram que Padilha é desconhecido da população. Além disso, não conseguiu até agora imprimir uma marca à sua gestão na saúde, uma das poucas áreas do governo com avaliação negativa.

Outros nomes colocados como os dos ministros Guido Mantega (Fazenda) e José Eduardo Cardozo (Justiça) enfrentam resistência internas. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, chegou a cogitar a hipótese de o partido apoiar o PMDB, mas a possibilidade foi abatida junto com o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP), alvo de 11 investigações do Ministério Público por suspeitas de irregularidades na época em que foi secretário estadual de Educação.

Paulo Skaf, o segundo nome do PMDB, não tem chance de ganhar apoio do PT.

Ao iG o presidente estadual do PT, Edinho Silva, confirmou que Mercadante é um nome “fortíssimo”, mas evitou falar em favoritismo do ministro da Educação.

Segundo interlocutores, Mercadante já demonstrou estar mais disposto a disputar o governo paulista do que tem demonstrado hoje. O foco principal do ministro seria a sucessão de Dilma em 2018.

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Caso continue no governo da presidente, Mercadante é tido como nome certo na coordenação da campanha pela reeleição de Dilma. Se optar pela candidatura ao governo paulista ele corre o risco de perder a terceira disputa consecutiva e se enfraquecer no partido.

“Mercadante está num dilema. Ela não sabe se a melhor estratégia para 2018 é continuar no governo federal ou disputar a eleição em São Paulo”, disse um interlocutor do ministro.

Fonte: Notícias do Último Segundo: o que acontece no Brasil e no Mundo