Cadela “beata” frequenta missas e desperta simpatia em Ouro Preto (MG)
A cadela Branquinha, de 15 anos, é figura conhecida da cidade histórica de Ouro Preto, na região central do Estado. Tão famosa quanto as ladeiras do município, ninguém sabe ao certo de onde ela veio, mas qualquer um sabe para onde ela vai logo cedo, todo domingo, sem falta. Branquinha dribla as dificuldades da idade avançada e chega antes de boa parte dos fiéis para acompanhar a missa de 7h, na igreja do Pilar. A peregrinação vai além: assim que o padre fala “amém”, ela segue rumo ao segundo compromisso do dia, na igreja de Bom Jesus.
A atitude de Branquinha se repete há anos e ainda é um mistério entre os moradores de Ouro Preto. A cachorrinha beata frequenta a igreja diariamente, assistindo às duas missas somente aos domingos. Querida por todos, a cadela de rua tem vida de cachorrinha de madame: nunca fica sem as refeições, que às vezes chegam em marmitex fechado, dado por donos de restaurantes. A saúde é acompanhada de perto pelo veterinário, que frequenta semanalmente. À noite, depois de caminhar pelo centro da cidade, brincar com outros cachorros e receber carinho de toda a população, tem transporte garantido para casa. Taxistas levam Branquinha para reencontrar sua cama de princesa, com direito à colchão e travesseiro.
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A história da cadela instiga a imaginação dos moradores da cidade histórica, que não têm qualquer informação sobre a origem dela. As hipóteses são variadas: as senhoras mais religiosas dizem que Branquinha “é um exemplo” para outros católicos. Já outros, mais céticos, acreditam que ela tenha sido ensinada a fazer o trajeto. Enquanto isso, há moradores que vão além e afirmam que a cachorra seria reencarnação de um padre da cidade.
Filme
Todas as possibilidades para explicar o mistério da cadela beata foram ouvidas pelo fotógrafo Lucas de Godoy, morador de Ouro Preto. Ele decidiu colher depoimentos e produzir um curta-metragem sobre Branquinha, depois de encontrá-la na porta da igreja em um dia de missa. O vídeo, que foi postado na internet no dia 20 de abril deste ano, já foi visto por cerca de 15 mil pessoas. Para o idealizador do projeto, a história da cachorra desperta a espiritualidade íntima de cada um. Embora tenha pesquisado intensamente sobre a cachorra, ele afirma que “não tem uma explicação lógica”.
—Não cheguei a nenhuma explicação. Ela não é condicionada a fazer isso, porque eu mesmo fui vendo que ela não fazia o mesmo trajeto, mudava de caminho para chegar ao mesmo lugar.
Para o fotógrafo, o propósito do filme é “passar leveza e alegria” para as pessoas, a partir da “lenda mística” de Branquinha. Além disso, Lucas pretende estimular os espectadores a refletirem sobre a situação dos cães de rua, que, na maioria das vezes, não tem a mesma sorte e cuidado que ela.
—Para mim, é a imaginação acima de tudo. A imaginação nos faz estar aqui no mundo com mais intensidade e eu quis mostrar isso: a vida é um grande sonho, podemos fazer a nossa passagem mais alegre.
