Biscoito fino para a mente

Sigmund Freud, founder of psychoanalysis, smoking cigar.  (Photo by Time Life Pictures/Mansell/The LIFE Picture Collection/Getty Images)

Sigmund Freud, founder of psychoanalysis, smoking cigar. (Photo by Time Life Pictures/Mansell/The LIFE Picture Collection/Getty Images)

Fabio Altman

Nos anos 1970 e 80, fez muito sucesso a coleção Primeiros Passos, da editora Brasiliense. Eram livros de bolso, pequenos mesmo, que agradavam a quem exclusivamente buscava iniciação, mas eram celebrados também porquê obras de qualidade inquestionável, porquê se detrás daquelas 50 e poucas páginas corressem rios de informação profunda. “S que é…” era a senha para alguns dos títulos virarem ícones de uma classe média intelectualizada que saía dos anos da ditadura militar. A coleção existe até hoje, já não vende porquê antigamente, mas virou um marco – ou uma resposta para quem acha improvável pequenos volumes oferecerem grandes respostas. Tal porquê ocorre com os perfumes, de cujos diminutos frascos exalam odores inacreditáveis, de livros que mal ficam em pé brotam ideias inteligentemente construídas e minuciosamente detalhadas.

Cortemos para os anos 2000, exatamente para o primeiro ano do novo milênio. Com Perversão, de Flávio Carvalho Ferraz, a coleção Clínica Psicanalítica, da editora Pearson Clinical Brasil, começava uma travessia intelectual de 15 anos e 80 títulos. Morte (Maria Elisa Pessoa Labaki), Adicção (Décio Gurfinkel) e Hipocondria (Rubens Marcelo Volich) são alguns dos títulos – em volumes pequenos, insista-se – capazes de entregar densidade inigualável. Lê-los é escoltar o magnífico enlace de duas extraordinárias invenções da cultura – a literatura e a psicanálise.

Aliás, esse é o tema, com atenção peculiar às letras do Brasil, da conversa entre os psicanalistas Renato Mezan e Renata Cromberg, no evento de celebração da história da coleção. Quando? Sábado, 28 de novembro, 10 horas, na Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos, em São Paulo.

Fonte: VEJA Meus Livros