Balaio chega aos oito anos no ar graças a vocês, internautas

kotscho Balaio chega aos oito anos no ar graças a vocês, internautas

Com detença, e graças à memorial da leitora Aliz de Castro, registro que o Balaio completou oito anos no ar neste domingo, 11 de setembro.

Como é uma data de que todo mundo se lembra porque foi neste dia, faz 15 anos, que houve o ataque às Torres Gêmeas, eu não deveria me olvidar da estreia do meu blog na internet, depois de muito resistir a entrar neste mundo novo, já no ocaso de uma longa curso na prelo de papel.

Primeiro no portal IG, para onde fui levado pelo Caio Túlio Costa, um dos pioneiros do jornalismo nas redes, e nos últimos cinco anos cá no R7, o Balaio já deve ser um dos antigos blogs jornalísticos em atividade ininterrupta _ de domingo a domingo, para ser preciso, quase todos os dias do ano, porquê acontece com os velhos jornais.

Talvez tenha me esquecido da data por uma preterição deliberada do inconsciente porque nascente certamente é o momento triste nestes oito anos de encontros diários com os leitores, pelas razões que todos vocês já conhecem. Não há motivos para fazer sarau.

P impossível para um jornalista não se deixar influenciar pelo clima de inferior astral generalizado nestes tempos de crises permanentes e confrontos sem término, que dividiram o país ao meio e, aos poucos, vão minando nossas esperanças de voltarmos a viver em silêncio de uma forma fraterna e solidária.

P porquê diz a minha querida Aliz (até rimou...) na mensagem que me mandou, lembrando os encontros que fazíamos a cada 11 de setembro, em que o mundo virtual se tornava real, com os leitores se conhecendo pessoalmente e resolvendo suas divergências numa mesa de bar:

"Por mim, isso viraria uma rotina anual, mas o tempo passa, deixa as pessoas surradas, afasta e, infelizmente, tem tornado as coisas tão difíceis, não é mesmo? Mas eu acredito que isso passa. Que bom que temos exemplos porquê você para nos agarrarmos, isso mantém nossa crença no melhor do mundo".

P por leitores e leitoras porquê Aliz que continuo mantendo levante espaço para comentar os assuntos do dia.

Ela foi um dos comentaristas assíduos deste blog que se afastou do convívio quotidiano, quando o Fla-Flu político se transformou numa disputa insana em que ofensas substituíram argumentos, e se perdeu o reverência por opiniões divergentes.

Oito anos detrás, o Brasil era outro, completamente dissemelhante, pleno de sonhos e planos, o pessoal entusiasmado para discutir os rumos do país. Virou tudo de cabeça para insignificante.

Dava-me prazer moderar os comentários, que frequentemente giravam em torno de três dígitos diários, às vezes chegando a quatro, e eu lia todos.

Achava jocoso ter um retorno repentino ao que escrevia, alguma coisa que no jornal era muito vasqueiro, na era em que ainda se mandava pelo correio cartas para a redação.

Quando os editores do IG me pediram para fazer a moderação, um grupo de leitores resolveu gerar o "Boteco do Balaio", no Google, um blog paralelo em que eles se encontravam para escadeirar um papo em que tratavam de qualquer ponto. Acho que o Balaio era o único blog com filial...

Com o tempo, muitos leitores migraram para lá, onde quebravam o pau livremente, mas o agravamento da crise e da intolerância também acabou afastando os velhos amigos. Nem sei se ainda existe o "Boteco do Balaio".

Hoje, me vejo obrigado a deletar do que publicar comentários para manter um mínimo de urbanidade e estabilidade no blog, o que é cada vez difícil.

Como vivo disso, continuo resistindo por cá, só observando e comentando o que se passa do lado de fora da janela, sem transpor do meu lugar e dos meus princípios, leal ao que Mino Carta labareda de veras factual, a material prima dos jornalistas, por que a paisagem e os transeuntes do poder me desagradem.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Ricardo Kotscho