Assange rompe silêncio e pede que Obama pare com ‘caça às bruxas’

iG São Paulo

Fundador do WikiLeaks fez primeiro pronunciamento da sacada da Embaixada do Equador, onde está há dois meses na tentativa de escapar de um pedido de extradição para a Suécia

O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, rompeu o silêncio neste domingo e fez um pronunciamento da sacada da Embaixada do Equador, em Londres, onde está há dois meses na tentativa de escapar de um pedido de extradição para a Suécia, sob a acusação de abuso sexual em 2010, crime que nega. Assange pediu ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que renuncie à ‘caça às bruxas’ contra o Wikileas no país, por ter revelado documentos secretos da diplomacia americana.

Ele também pediu que Obama liberte o soldado Bradley Manning, suspeito de ter vazado informações confidenciais para o site sobre a guerra no Iraque e Afeganistão, assim como despachos diplomáticos do Departamento de Estado entre novembro de 2009 e maio de 2010, quando estava mobilizado no Iraque. O soldado de 24 anos está preso há mais de 800 dias por conta das acusações. Para o WikiLeaks, Manning é um prisioneiro político.

O fundador do Wikileaks agradeceu o apoio de vários países latino-americanos, inclusive o Brasil, mas citou principalmente o Equador, que, na última quinta-feira, aprovou o pedido de asilo do australiano sob a alegação de que ele pode ser vítima de perseguição política. Mas Assange vive agora um impasse porque a Inglaterra não deu salvo-conduto para sua saída rumo ao Equador. Assim, ele pode ser detido pela polícia britânica assim que deixar a embaixada equatoriana, antes de chegar ao aeroporto.

Assange disse também que está sob ameaças e comparou seu caso à perseguição que sofrem as integrantes da banda Pussy Riot, em Moscou, condenadas a dois anos de prisão por protestar contra o presidente Vladimir Putin na catedral da capital russa.

Mais cedo, Baltasar Garzón, advogado de Assange , disse em frente à embaixada que o criador do site WikiLeaks está "disposto a responder pelas acusações" que enfrenta na Suécia, mas quer "garantias" de que não será extraditado. "(Assange) quer garantias mínimas das autoridades suecas, que não foram outorgadas", afirmou Garzón, jurista espanhol famoso por ter, quando desempenhava o papel de juiz em seu país, ordenado a prisão do ex-líder chileno Augusto Pinochet. Ele também afirmou que o criador do WikiLeaks está "com espírito combativo" e "agradecido" ao povo equatoriano.

Com agências internacionais

Fonte: Notícias do Último Segundo: o que acontece no Brasil e no Mundo