Às vezes é preciso voltar para ter forças e seguir adiante
Olá, leitores, tudo muito? Dei uma sumida para ver o mar e suas cores. Volto com novidades, tive tempo suficiente para encher a cabeça com livros. Boa viagem!!!
“Ninguém quer convencionar desse sonho que é a vida, Inácio, por pior que ela seja. Palavras de mamãe, que tarde vieram a perder o sentido, quando ela, coitada, descobriu que se enganara, que algumas pessoas escolhem ajustar se o sonho é feito de negrume e deserto.”
Esse é o tom de Liturgia do Fim, da escritora paraibana Marilia Arnaud, obra em que ela assume um protagonista masculino para racontar uma história envolvente e enxurrada de dores e retomadas de força para apresentar um verdadeiro presente literário ao leitor.
Após um incidente violento e cruel envolvendo sua mana e seu pai, Inácio Boaventura é expulso de mansão aos 18 anos. Sem opção, deixa o vilarejo onde sempre viveu, Perdição, para viver em uma grande cidade. Lá, ele se forma em literatura e se torna professor e noticiarista de renome. Após 30 anos de sua partida forçada daquele vilarejo e assombrado pela memória e pelos fantasmas de um sigilo familiar, Inácio está confuso e com um enorme vazio dentro e si. Sua reação a isso é ceder mulher, filha, ocupação e a literatura para voltar a Perdição a término de tentar encarar o pretérito na figura de seu dominador pai.
Numa narrativa descontinuada e sinuosa, em que presente e pretérito se alternam e se misturam, Inácio narra a puerícia e a juventude em Perdição, a vida em família, a relação difícil com o pai, o terno entendimento com a mãe, a preocupação pela tia louca, os medos noturnos, o primeiro e único paixão, a paixão pelos livros.
Livro incrível!!!

Liturgia do Fim
152 páginas
R$ 30
Editora Tordesilhas
