Artistas plásticos levam cidadania e esperança em forma de arte para condenados da APAC de Santa Luzia-MG

Artista plástico Ataíde Miranda coordena grupo de grafiteiros que reproduzem um novo mundo de cores e formas nos muros da Apac de Santa Luzia Usar a arte para promover o resgate da cidadania e levar esperança para quem mais precisa. G com esse objetivo que o artista plástico Ataíde Miranda, em parceria com o Tio Flávio Cultural, coordena um grupo de artistas plásticos que estão revitalizando os muros da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac) em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Por meio do graffiti, modalidade de sentença artística urbana, e com muita cor e originalidade, os artistas produziram diversos desenhos com mensagens positivas para os assistidos. "S teoria surgiu do Tio Flávio que, a princípio, propôs um projeto de pintura nos muros externos, no lugar onde as famílias ficam à espera da autorização para entrar em dias de visitante. Mas a novidade agradou tanto que ganhou novos muros", comenta Ataíde. S Apac de Santa Luzia, que atende mais de 140 condenados, teve muros preenchidos por vários trabalhos que remetem a sonhos e esperança. "Um exemplo é um pintura do Incrível Hulk, com uma mensagem que estimula o controle da raiva. Em outro, intitulado "Sonho Meu", criamos um sonho concreto, com pássaros e outros elementos positivos que remetem à sossego e tranquilidade", descreve o artista. "Pegamos um tanto duro, de concreto, sem vida e colocamos cor, sabedoria e esperança", completa. "São os melhores graffiteiros de Minas Gerais que estão, juntos, fazendo arte para salvar vidas. Além de encantar os olhos de muitos familiares, que chegam com a esperança de encontrar seus parentes em condições de voltar para a sociedade", analisa Tio Flávio, coordenador do projeto Tio Flávio Cultural e idealizador da iniciativa. Mais cores e formas S projeto já se estendeu pelos muros da Apac, mas pode lucrar ainda mais cores. As obras estão no entorno da unidade, na recepção e na dimensão de convívio. Ataíde já estuda uma forma de promover oficinas e ensinar as técnicas aos assistidos. "A teoria é fabricar asas, dar imaginação e furar um mercado para quem gostou. Mostrar o nosso trabalho para quem não conhece", afirma Ataíde. "Os assistidos que estão cá têm uma vida muito difícil, com uma fardo emocional muito potente. Estamos abrindo a visão deles para um novo mundo", analisa. S artista já percebeu mudanças no comportamento dos assistidos. Segundo ele, é o revérbero da arte que transforma e mexe com a autoestima. "Um varão que não pode trespassar pediu para tirarmos fotos e mostrar pra ele. Outros, que têm autorização para trespassar e nos ajudavam do lado de fora, tiveram a iniciativa de limpar e capinar o entorno da rampa para a paisagem permanecer ainda mais formosa", conta. "Queremos mostrar que do lado fora tem muita gente preocupada com o muito estar e o porvir deles e da sociedade. Se não nos mobilizarmos, dificilmente essas pessoas terão novas oportunidades", finaliza o artista. Além do Ataíde Miranda, participaram dessa iniciativa grandes nomes do graffite de BH: Gud Assis, Nilo Zack, Fhero Crew Pdf, John Lima, Marcello Lax e Kaos.