Artigo: Acordo do Ocidente com o Irã ainda é visto com desconfiança por Israel
Nahum Sirotsky
'O mundo está correndo riscos', alertou Avigdor Lieberman, ministro das Relações Exteriores israelenseO acordo entre as cinco potências com poder veto no Conselho de Segurança da ONU, além da Alemanha, com o Irã, foi festejado pelo secretário de Estado americano, John Kerry. No entanto, o presidente Barack Obama entende a cautela israelense sobre a questão. O embargo econômico sobre o regime dos aiatolás foi retirado até segunda ordem. Em troca, há a promessa de não enriquecer urânio a mais de 5%, esfriando os já preparados ao teor de utilização bélica.
O premiê de Israel, Biniamin Netanyahu, reiterou que o Irã utilizará estes seis meses para finalizar o preparo do armamento nuclear, em vez pacificar seu projeto. O ministro de Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, referendou o discurso. “O mundo está correndo riscos”, alertou.
A revista americana Time publicou reportagem com alto oficial israelense, preservando identidade, que revelou plano de ação militar conjunta entre seu exército e os Estados Unidos. A intenção seria de advertir o Irã a cumprir o acordo assinado em Genebra há poucos dias.
“Programam algo grande, para que Teerã saiba que o mundo está de olho neles, caso estejam pensando em ludibriar a todos. A decisão estratégica seria de fazer barulho”, revelou, sem dar muitos detalhes. Nem Netanyahu, tampouco Obama, confirmaram a veracidade destas informações.
O ministro de Relações Exteriores da Inglaterra, William Hague, antes mesmo da divulgação desta entrevista advertiu Israel que não interfira na decisão do acordo entre Irã e as cinco potências. “Qualquer intervenção que possa ferir o compromisso de Genebra será recebido como uma afronta”, avisou.
Já o presidente de Israel, Shimon Peres, em visita ao México, declarou que está disposto a chegar a um acordo definitivo com os palestinos. As negociações de paz foram retomadas há quatro meses. “Trata-se de algo urgente e possível. A melhor alternativa. Não apenas decisão estratégica. É uma opção moral”, afirmou. Peres tem interesse de firmar, e expandir, tratados comerciais com os mexicanos.
O último conflito a surgir no Oriente Médio, até o momento, ocorreu no ato de expulsão, por parte do Egito, do embaixador turco. Então, o premiê Recep Erdongan, da Turquia, tratou de mandar de volta ao Cairo os diplomatas egípcios.
Desde a queda do presidente Mohamad Morsi, Erdogan denuncia que houve um “golpe inaceitável no Egito”. A Junta Militar que governa atualmente acusa os turcos de colaborar com a Irmandade Muçulmana, grupo radical que elegeu o deposto Morsi. Inclusive haveria indícios de espionagem, encontrados pela Inteligência Egípcia, fato que culminou nos incidentes diplomáticos. Membros da Irmandade estariam frequentando, ultimamente, a Embaixada da Turquia, no Cairo.
*Com a colaboração de Nelson Burd
Fonte: Notícias do Último Segundo: o que acontece no Brasil e no Mundo