Após divulgação de notas do Enade, estudantes voltam a questionar administração da Milton Campos
Há algo estranho nos corredores do imponente prédio da tradicionalíssima escola Faculdades Milton Campos, na divisa entre Nova Lima e Belo Horizonte: a insatisfação tomou conta dos alunos e chegou aos professores. Os estudantes questionam a administração e alegam que a mensalidade cobrada é muito alta para que existam problemas de infraestrutura como os que vêm afetando a qualidade do ensino nos últimos semestres.
Os últimos dados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) divulgados neste mês endossam esse descontentamento. Na avaliação feita pelo Ministério da Educação, referente ao ano passado, a Faculdade de Direito Milton Campos – a menina dos olhos do complexo educativo – obteve nota de apenas 2,4. Bem abaixo de concorrentes até menos celebrados. Em primeiro lugar na lista das instituições de Belo Horizonte com as melhores marcas no teste está o curso da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com 3,9 pontos.
Os alunos criticam os números e problemas estruturais levando em conta, principalmente, os valores pagos para a instituição. Segundo o site Mercado Mineiro, especializado em pesquisa de preços, a mensalidade do curso de direito da Milton Campos é a mais cara entre as instituições da Grande BH: R$ 1.294. Para se ter uma ideia, alunos da Escola Superior Dom Helder Câmara, que aparece no topo da lista das mais em conta, pagam R$ 890.

Alunos colaram cartazes em janelas durante paralisação no início deste mêsFoto: Divulgação/Diretório Acadêmico Orozimbo Nonato
“Nós não estamos enxergando dentro da instituição o retorno do nosso investimento”, diz, por exemplo, Miguel Marzinetti, estudante do 10º período de Direito da Milton Campos. Miguel lembra que a escola peca pela baixa valorização dos professores qualificados. “Já passou da hora de a Milton Campos valorizar os bons profissionais e eliminar os que são alvo de críticas constantes”, opina.
A assessoria de imprensa da Milton Campos informou que praticamente 90% das reivindicações apresentadas pelos alunos têm relação com questões de infraestrutura. As demandas foram encaminhadas para o Centro Educacional de Formação Superior (Cefos), entidade mantenedora da instituição de ensino, que ainda não se pronunciou sobre as reclamações. A direção da faculdade ressaltou que os itens que tratam de mudanças acadêmicas já estão sendo avaliados e há previsão de mudanças para atender aos pedidos.
No último dia 3, os alunos do curso de Direito da Faculdade Milton Campos fizeram uma paralisação contra o que chamam de “falta de transparência na prestação de contas da instituição”. A demissão de um professor, no meio de um semestre letivo, o que comprometeria a continuidade da matéria, foi considerada por eles a gota d’água para pedir melhorias.
Solidariedade na internet
O professor Alexandre Cateb foi impedido de se despedir pessoalmente de seus ex-alunos e recorreu às redes sociais. Sua despedida no Facebook recebeu 30 compartilhamentos e cerca de 385 “curtidas”, além de mais de 120 comentários, todos solidários ao docente.
Até o momento, a Milton Campos não informou aos estudantes os reais motivos para o desligamento de Cateb – professor que criou o único grupo de pesquisa que rendeu publicações de alunos no exterior. A demissão, inclusive, gerou protestos até fora de Minas Gerais.
O presidente do Instituto de Direito e Economia do Rio Grande do Sul (Iders), Cristiano Rosa de Carvalho, classificou como “absurdo” o desligamento de Cateb. “Um de seus professores mais dedicados e empreendedores, com mais de 15 anos de docência, tendo para lá levado eventos tais como o congresso da Associação Brasileira de Direito e Economia – ABDE, com palestrantes famosos mundialmente, a exemplo de Sam Peltzman, atual cotado para o Prêmio Nobel de Economia. Quantas faculdades podem contar com professores assim?”, questionou.
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Fonte: ::: JORNAL DE MINAS GERAIS :::