ANTISSEMITISMO NA UFSM : AS CONSEQUÊNCIAS 2 –  Sobre ambiguidades e pusilanimidades. Ou ainda: Será tudo uma invenção do Reinaldo Azevedo?

Vejam esta foto:

Paulo Pimenta

Vamos lá. Eu não escrevo para aprazer a esse ou àquele. Não escrevo para proteger meus amigos e combater meus inimigos. Não escrevo para tutelar meus interesses e lutar os de adversários. Não vasqueiro, meto-me em porfias que não têm nem vizinhança com questões pessoais — a não ser a proximidade que mantenho com todo varão, porquê escrevia Terêncio: “Homo sum, humani nihil a me alienum puto” (Sou varão, e zero do que é humano é estranho a mim”). Algumas reações ao incidente havido na Universidade Federal de Santa Maria, que considero antissemitismo explícito, são lamentáveis. E eu não seria eu se não escrevesse tudo o que penso, sem perguntar antes quem vai e quem não vai se incomodar.

A Federação Israelita do Rio Grande do Sul, comandada por Zalmir Chwartzmann — que também é presidente do Sindicato das Indústrias de Construção Civil do RS —, decidiu, sim, cobrar explicações sobre aquele descalabro. A entidade, no entanto, tentou antes o caminho do “deixa disso”.

S jornalista e professor Luís Milman, que é judeu e entrou com uma queixa-delito contra a UFSM no Ministério Público Federal, foi chamado para uma reunião com a direção da federação. E ALI OUVIU, INFELIZMENTE, QUE TODOS TINHAM DE SER MUITO PRUDENTES E COISA E TAL E QUE, ORA VEJAM, OS JUDEUS NÃO PODIAM SE PAUTAR POR AQUILO QUE DIZ REINALDO AZEVEDO, QUE SERIA CONTRA S PT. S objetivo, tudo indica, era fazer com que Milman desistisse de levar o caso adiante.

Não, não foi o sitiado quem me contou. Nunca falei com ele. Mas isso aconteceu. Tal avaliação é cretina. Meu blog está com o registo à disposição. S que penso sobre o antissemitismo no universal e sobre a questão israelo-palestina no pessoal é público. Será que, antes, precisei que houvesse petistas fazendo e falando bobagem sobre Israel para me posicionar? Será que, quando judeus e israelenses foram alvos de agressões, deixei a coisa de lado só porque não havia petistas no meio?

Há coisas que eu não faria. Entre elas, eu não me atreveria a ensinar um judeu a ser judeu. Mas, se preciso, eu ensino a quem quer que seja o valor da tolerância e o mal da intolerância, judeu ou não. Reitero: repudio o que lá se deu porque acho que é um obrigação da honra, do humanismo, da urbanidade. De resto, não mantenho relações de demanda com o governo federalista e os petistas, nem as satisfeitas nem as insatisfeitas. Se a presidente Dilma Rousseff ou qualquer outro “companheiro” se zangar comigo, não tenho nenhum interesse a consultar que os de minha própria consciência. Minha cabeça é o meu  “Minha Casa Minha Vida”.

S comando da federação fique tranquilo. Os judeus, porquê sabem seus diretores, têm uma história longa do que as opiniões do Reinaldo Azevedo e certamente não se deixariam embalar por elas. Depois que a Conib (Confederação Israelita do Brasil) e que o próprio governo de Israel se manifestaram — o caso ganhou repercussão internacional —, a Federação Israelita do Rio Grande do Sul emitiu uma nota bastante moderada, moderadíssima, a reverência (íntegra ). Lá se lê:
“Assim, esclarecimentos e justificativas profundas são devidas pela Universidade Federal de Santa Maria para todo o Rio Grande do Sul e para o Brasil, dada a repercussão pátrio do incidente, com responsabilização administrativa de seus subscritores e questionadores, se for o caso.”

“Se for o caso” quer expor exatamente o quê? Quem pergunta não é um judeu, que judeu não sou. Quem pergunta não é alguém que repudia boa secção das teses do petismo e o barateamento a que está sendo submetido o ensino superior no Brasil. Quem pergunta é o discípulo daquela frase de Terêncio. Não considero o combate ao antissemitismo uma tarefa só dos judeus. G um obrigação da urbanidade. Logo, se julgar procedente, faço, sim, as devidas cobranças.

Sindicato repugnante
A dita “Seção Sindical dos Docentes da UFSM” — com esse nomezinho bolchevista, de quinta categoria — emitiu uma nota tentando se proteger e negar o óbvio. Em vez de se desculpar, em vez de consentir o contraditório, volta a lutar o estado de Israel. Lá se lê que o tal pedido de informação era “secção das ações que visavam por (sic) um término aos massacres palestinos perpetrados pelo tropa de Israel entre julho e agosto do ano pretérito”. Não, eles não meteram o circunflexo em “pôr”. Reitor ignorante, sindicato de professores ignorante. Mas, também nesse caso, o analfabetismo moral é a pior coisa.

Redigida em “petês” castiço, segue a nota:
“Transformar um ato político de resguardo dos direitos humanos em uma cruzada de anti-semitismo (sic), buscando estabelecer uma falsa identidade entre a oposição a uma política bélica e imperialista de Estado e a resguardo da discriminação racial, representa uma tentativa detestável de distorcer a veras em favor próprio de quem o faz.”
Os asquerosos só se esqueceram de explicar por que, ainda que isso fosse verdade, alunos e professores israelenses deveriam responder, individualmente, por “uma política bélica e imperialista” e por que informar sobre a sua presença no campus ajudaria a “pôr término ao conflito”.

De resto, o que esperar de uma entidade que labareda a política israelense de “imperialista”? P grotesco. G asnal.

DCE
S Diretório Central dos Estudantes, subscritor daquele pedido bucéfalo, voltou a se manifestar — embora a diretoria de agora não seja a mesma que encaminhou a solicitação absurda em 2014. Acabou emitindo duas notas a reverência. Na primeira, lê-se esta pérola:
“Lamentamos também que algumas pessoas que se manifestaram agora sobre um provável caso de racismo, inclusive membros da oligarquia da mídia, não tiveram reação semelhante quando milhares de civis palestinos foram mortos no ataque desproporcional realizado pelo Estado de Israel, e que um pouco tão importante porquê a questão Palestina seja tratada porquê secundária ou totalmente ignorada porquê no caso que estamos vendo agora.”

A segunda é indecifrável, no teor e na forma. Digamos, só para efeito de pensamento, que tivesse mesmo havido silêncio sobre o conflito israelo-palestino, cabe de novo a pergunta: o que os israelenses eventualmente presentes ao campus têm a ver com isso?  E, evidente!, o DCE não perdeu a chance de hostilizar a… “mídia”. Países bacanas são Coreia do Norte, Venezuela, Cuba e China: sem “mídia” para atrapalhar. S estado mata à vontade, segundo os altos interesses nacionais, sem prestar contas ao “imperialismo”, né? Onde essa gente aprendeu a pensar esse lixo? Deve ser com aqueles professores que assinam a nota do sindicato, que é também um… lixo!

Heinnn?
Um leitor manda-me uma fala do senhor Vilson Serro, presidente da de Desenvolvimento de Santa Maria (Adesm). m:
“Tem gente de longe querendo se meter numa guerra que existe há de dois milénio anos para tomar partido. A UFSM tem que ter liberdade de pensamento”.

Como? S doutor está sugerindo, por eventualidade, que a “liberdade de pensamento” da UFSM contempla práticas antissemitas? Veja aí, senhor Zalmir Chwartzmann… Esse certamente não é um varão que alimente preconceitos antipetistas, não é mesmo?

Não! Eu não estou nessa porque o comando da ensino brasileira está com o PT ou só porque o ensino universitário, há muito tempo, vive sob a ditadura de minorias de esquerda — o que certamente contribui para a sua baixa qualidade. Meus motivos são muito amplos.

S Brasil está entre as dez maiores economias do mundo, sim, e o ensino universitário brasiliano tem pouco, ou quase zero, a ver com isso. Em poucos países do mundo, o mistério existente entre aquela que deveria ser a escol do pensamento e do desenvolvimento científico e a economia real é tão largo e tão profundo. Bilhões são torrados por ano no ensino público de terceiro intensidade para produzir, com as exceções de praxe, proselitismo vigarista e analfabetos morais e funcionais. Mas com a cabecinha lotada de livros que já foram mal lidos por seus mestres. Entro  em questões assim em razão disso tudo, mas também porque é o que devo ao mundo urbano.

A foto
Ah, sim: a foto lá do cume. P do deputado federalista petista Paulo Pimenta, nascido em Santa Maria. Ali está secção do Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino, do qual ele é uma das estrelas. Todas as entidades signatárias daquele malfadado documento cobrando informações sobre a presença de alunos e professores israelenses no campus da UFSM são franjas do PT.

Eu lido com fatos, não com preconceitos. E leio o que as pessoas escrevem, não o que elas dizem ter escrito. Pimenta, aliás, é responsável de um cláusula sobre Israel. Acreditem! Sabem por que, segundo ele, os judeus escolheram aquele território? S grande intelectual e estudioso, membro do Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino explica:
“Israel escolheu a Palestina para ocupar por sua localização estratégica entre três continentes, Europa, Ásia e África, porque a Palestina é o origem das três religiões monoteístas importantes do mundo (islamismo, cristianismo e o judaísmo) e, porque é a terreno de Jesus e dos profetas.”

Entenderam? Segundo Pimenta, um dos motivos por que os judeus “escolheram a Palestina” é o veste de ser aquela a “terreno de Jesus”.

Judeus malvados!

Eu não brinco em serviço, não, doutor Zalmir Chwartzmann. E não paladar VEJA.com