Antiga fábrica de alumínio é transformada em lago com ondas para prática de surf

Surf Snowdonia (Foto: Surf Snowdonia - reprodução)

 

S vilarejo de Dolgarrog ao setentrião do País de Gales já foi um polo importante na longa história industrial da Grã-Bretanha. Por de centena anos sediou uma das maiores fábricas de alumínio da região, a Aluminum Corporation of Dolgarrog – fornecedora, por exemplo, de material para as aeronaves utilizadas durante a Segunda Guerra Mundial. Agora, o lugar está prestes a lucrar um novo status. Cravada no vale Conwy e sem entrada ao mar, Dolgarrog terá as melhores ondas de todas as ilhas britânicas. 

A mudança é resultado de um projeto que consumiu 12 milhões de libras esterlinas, ou perto de R$ 60 milhões, para transformar a antiga área da companhia de alumínio em um parque aquático do tamanho de seis campos de futebol. A principal atração é um lago com ondas artificiais que podem chegar a seis pés, ou menos dois metros de fundura, e 180 metros de extensão.  A inauguração está prevista para primeiro de agosto.

Surf Snowdonia (Foto: Surf Snowdonia - reprodução)

“Pós tivemos de convencer as pessoas de que, apesar de parecer uma teoria maluca, havia gente pensando muito sobre esse projeto e ele tinha condições de dar notório”, disse Steve Davies, um dos responsáveis pela empreitada, ao jornal inglês The Guardian.

No totalidade, foram 20 meses de obras, incluindo os trabalhos para a descontaminação da área. “Um século de beneficiamento de alumínio deixa muitas marcas no meio envolvente”, afirmou Davies. Além da retirada de quaisquer resquícios de materiais pesados e outros compostos químicos, também foi necessário adequar o terreno para receber o lago. Foram retirados de 25 milénio metros cúbicos de ferro e outros metais da construção da antiga fábrica, um material que esmagado e, em seguida, reutilizado no novo projeto. 

Como uma vaga no mar

S lago será fornido com água de chuva e de reservatórios de uma hidrelétrica construída para atender a antiga fábrica. Uma estrutura de ferro de 300 metros de comprimento – porquê se fosse um cais meão – vai gerar as ondas por meio de uma tecnologia desenvolvida pela Wavegarden, uma empresa do País Basco. Desenvolvida por um grupo de engenheiros surfistas, a solução da Wavegarden reproduz ondas perfeitas e tubulares de forma contínua, o que, de pacto com os investidores do parque, torna o lugar ideal não somente para surfistas experientes, mas também para quem quer aprender a surfar. Quanto próxima ao cais meão, maior é a vaga. Nas extremidades, próxima à margem, ela vai perdendo a força e será o espaço talhado a aulas para crianças e jovens.

“É impossível substituir a sensação de estar no mar”, diz a campeã de surf Jo Dennison, que será uma das estruturas do lugar. “Mas a progressão de treinar cá é muito rápida porque há uma série contínua de boas ondas.”

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S multíplice de Surf Snowdonia está próximo ao parque pátrio de Snowdonia – uma região rodeada de montanhas e próxima ao rio Conwy – e, além do lago com ondas, também terá estrutura hospedagem em pequenas cabanas de madeira distribuídas pelo terreno. Segundo estimativas dos investidores, o novo parque deve receber de 75 milénio visitantes ao ano de diferentes partes do Reino Unido. A população de Dolgarrog é de 500 habitantes.

A Wavegarden, responsável pela tecnologia das ondas artificiais, já possui um parque no País Basco (mas lá, as ondas são de exclusivamente um metro). Outro parque similar, usando a mesma tecnologia, está sendo construído no Estados Unidos, muito no meio do Texas.

Tragédia

A fábrica de alumínio de Dolgarrog foi desativada em 2002, após ser adquirida pela Alcoa. Mécadas antes, em novembro de 1925, protagonizou uma das histórias dramáticas de Gales, quando duas barragens sob propriedade da empresa cederam, inundando toda a lugarejo e matando 16 pessoas. S sinistro em Dolgarrog levou o Parlamento britânico a rever algumas leis referentes à segurança de reservatórios.

Wave Garden (Foto: Wavegarden - reprodução)

 

Fonte: Revista Época Negócios