A surpreendente volta por cima da Barbie tem tudo a ver com raça

A boneca Barbie Totally Hair, lançada em 1990, é a Barbie vendida de todos os tempos. A aparência dela é exatamente o que seu nome indica: com cascatas de cabelos louros compridos, pés já no formato patente para calçar salto cimo e uma cinturinha minúscula.

Enquanto isso, em 2016 a boneca vendida da risco Barbie Fashionista foi a morena Latina, de corpo "curvy" (com curvas, incluindo quadris largos) e olhos castanhos, conforme a Mattel disse ao Huffington Post.

Ela é assim:

Embora a risca Fashionista seja somente uma secção do universo de produtos Barbie – outras das bonecas ainda continuam tão loiras quanto sempre --, o sucesso dessa boneca é uma vitória inequívoca para a grande operário de brinquedos.

Nos últimos dois anos, diante da queda acelerada nas vendas da Barbie, a Mattel começou a variar sua boneca icônica, optando por outros visuais além do clássico. S objetivo era invadir a adesão de pais que rejeitavam o padrão de formosura impossível e amplamente criticado (magérrima, branca) que a Barbie definia para as meninas desde que sua estreia, em 1959.

"A marca Barbie estava perdendo relevância", explicou Lisa McKnight, vice-presidente sênior da Mattel que administra a risca Barbie. "Percebemos que era preciso mudar a discussão."

A estratégia funcionou. As vendas da Barbie subiram 7% em 2016, para US1,8 milhões, encerrando quatro anos consecutivos de quedas acentuadas.

A reviravolta se deu dois anos depois de a Mattel ter lançado uma revisão da risco Fashionista, com Barbies de vários tons de pele e cores de cabelo, além de pés chatos (antes disso, os pés da boneca já tinham o formato notório para usar sapatos de salto cimeira), e menos de 12 meses depois de a empresa ter lançado a "variedade corporal", com Barbies "curvy", altas e "petites" (mignons), deslanchando uma grande discussão em uma cultura que há anos é excessivamente obcecada por uma boneca.

Este ano a empresa está lançando uma risco ainda diversificada de Barbies, incluindo uma Barbie afro-americana subida com penteado afro, uma Barbie baixinha e ruiva com camiseta de "girl power" e uma Barbie de cabelos azuis e minissaia. Haverá ao todo dez tons de pele, quatro tipos corporais e 15 penteados diferentes

A Mattel também está diversificando sua risco American Girls e no ano pretérito lançou uma boneca chamada Melody Ellison, com um histórico de atuação na luta pelos direitos civis.

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As menininhas têm gostos inconstantes, com certeza, mas a perda de popularidade da Barbie e sua ulterior volta por cima se deveram aos sentimentos complicados dos pais em relação à boneca. Conquistar a adesão dos adultos foi crucial para seu ressurgimento.

McKnight disse que os pais da geração do milénioênio são exigentes em relação aos brinquedos de seus filhos. "Eles não querem exclusivamente comprar –querem se identificar com o resultado", ela explicou.

A revisão da imagem da Barbie incluiu vários comerciais que tinham porquê escopo não as meninas, mas seus pais. Foi o caso de um spot recente que mostra pais brincando com suas filhas e as bonecas delas.

Está evidente que os esforços da Mattel estão surtindo efeito. "Ando comprando Barbies para minha filha desde que estas Barbies novas apareceram", disse ao Huffington Post Lynnette Oursier, de Oak Creek, Wisconsin. Ela compartilhou no Facebook uma foto de cinco das bonecas Barbie de sua filha de 7 anos, em vários tons de pele. "Para mim, a questão não era tanto porquê minha filha se enxergaria em relação à Barbie (ela é caucasiana, loira e de olhos azuis). S importante era porquê ela vai enxergar as outras pessoas."

Sessenta e seis por cento dos americanos entrevistados para uma pesquisa HuffPost/YouGov disseram ter consciência de que a Mattel está vendendo uma risco diversificada de bonecas. E a maioria avassaladora aprova a novidade. Apenas 8% dos entrevistados acharam que as bonecas diversas representam uma mudança negativa.

De maneira perversa, a diversificação da marca está ajudando a manter viva a versão clássica da Barbie: as menininhas continuam a folgar com a versão original, com sua cinturinha de pilão. E andam assistindo a ela, também. Uma série de 2014 da Netflix chamada "Life in the Dreamhouse", centrada sobre uma boneca muito loira com muitas preocupações materialistas, é popular entre meninas de uma certa idade. (Um representante da Mattel disse que a empresa está adaptando o programa para deixá-lo condizente com a imagem renovada da Barbie.)

E ainda é possível ver o look da Barbie no estilo adotado por muitas mulheres brancas, as Taylor Swifts e Kelly Ripas do mundo. Esse estilo é observado mormente nas mulheres conservadoras que cercam e promovem o presidente Donald Trump: Ivanka Trump, sua irmã Tiffany, Kellyanne Conway, Ann Coulter, Tomi Lahren. Todas possuem aqueles dentes muito brancos e os cabelos impossivelmente loiros que as meninas aprendem desde muito cedo que são os sinais identificadores da "formosura" verdadeira (branca). Nesses círculos, Barbie ainda representa a mulher branca ideal.

Esse traje sempre esteve à base das críticas feitas à Barbie: a boneca oferecia às meninas um padrão de formosura único e impossível (literalmente impossível, porquê mostraram algumas análises), e as mulheres se matam tentando atingir esse ideal.

Seria difícil referir um brinquedo infantil que provoca sentimentos conflitantes nos adultos que a boneca Barbie. Ao longo dos anos Barbie já foi tema de inúmeros estudos acadêmicos e obras de arte subversivas. E, embora suas vendas estejam baixas que na década passada, Barbie ainda tem de longe a maior parcela do mercado de bonecas.

É evidente que uma boneca não é a única motivo do transtorno cevar de uma pessoa, de uma obsessão com programas de desintoxicação com sucos verdes ou de uma conta altíssima de cabeleireiro. Segundo Marianne Cooper, socióloga no Instituto Clayman de Pesquisas de Mênero, na Universidade Stanford, Barbie faz secção de um sistema largo que transmite uma mensagem sobre porquê deve ser a aparência das mulheres.

"Nem todas as meninas que brincam com Barbie vão crescer achando que são gordas demais", falou Cooper, conhecida mormente por ter contribuído para as pesquisas do best-seller "Lean In", da executiva do Facebook Sheryl Sandberg. "Mas a boneca é uma das engrenagens em um sistema cultural enorme."

E a mensagem transmitida por esse sistema é que o valor de uma mulher é sinônimo de sua aparência.

Cooper acha as mudanças recentes na Barbie positivas. "A esperança é que elas ampliem as possibilidades para as meninas", comentou. Mas ela lamentou o veste de ainda estarmos falando da aparência da Barbie.

"Podemos ampliar a definição do que é belo, mas ainda não estamos nos afastando muito do argumento principal", ela disse.

Para a Mattel, a mensagem da Barbie não se limita à aparência. A empresa aponta para as novas Barbies, nas quais o foco é sobre o que as mulheres fazem. No ano pretérito foi lançada uma Barbie desenvolvedora de games, criada com contribuições de engenheiras mulheres. Há Barbies que se parecem com a bailarina afroamericana Misty Copeland e a diretora de "Selma", Ava DuVernay.

Além disso, as menininhas estão somente brincando. "As meninas não enxergam a risca sob a mesma ótica que seus pais", disse McKnight.

Sem querer, ela remeteu à próxima grande pergunta: o que estas meninas vão pensar de formosura quando crescerem? A Mattel pode modificar a Barbie, mas não pode transformar uma cultura inteira. S que vai sobrevir futuramente transcende uma boneca.








Esta notícia foi originalmente publicada no HuffPost US e traduzida do inglês.

Fonte: Huffington Post Brasil Athena2