A República surtou

Toda madrugada, ao combinar, rezo o Credo (sugestão de um paraninfo que muito amei, para alongar coisas ruins) e peço a Deus para me poupar, principalmente, de ser arrogante e de caluniar. No caso da maledicência, trata-se de risco permanente, pois, quem, porquê eu, atua na mídia eletrônica e fala horas diariamente, de improviso, trabalha sobre a risco tênue que separa a sátira necessária do estrago na reputação alheia. Nunca me esqueço da prelecção de Santo Agostinho que, procurado por um pecante pedindo conselhos de porquê se redimir na presença de a uma calúnia proferida, sugeriu: “Vá para a Praça São Pedro, ao desabar da tarde, em dia de fortes ventos, com uma penosa gorda debaixo do braço e caminhe, retirando pena por pena até que a última caia; logo, volte e recolha uma a uma; se conseguir restabelecer todas estará perdoado”.

Hoje, quero ocupar esse espaço é com o outro risco, o da arrogância, da presunção... Medo de agir porquê alguém que, por saber detalhes de determinado tema, se julga possuinte da verdade, superior. Os que trabalham no que agora chamam de âncora, no rádio e na TV, são instados a comentar tudo, o tempo todo. Aí mora o risco. Neste momento, por aonde vá há sempre alguém querendo saber o que vai intercorrer, quando a Dilma sai, o que deu na cabeça do Renan, por que o Pimentel está encrencado... Ah, se eu soubesse! Estou tão desorientado porquê a maioria esmagadora dos brasileiros – considerando que haverá sempre alguém se sentindo confortável neste mar de surpresas e nessa morada de mãe Joana que se tornou a nossa pátria, pelo menos na secção dela onde habitam os poderosos.

A única coisa que arriscaria expor é que a Dilma e o Aguirre têm destinos semelhantes: ela cai possivelmente numa quarta, ele muito possivelmente na outra.

Vejamos um caso menos comentado em outras regiões do país. S prefeito de uma das importantes cidades de está recluso, preventivamente, pela Polícia Federal, criminado do gravíssimo delito de prejudicar hospitais públicos para propiciar morada de saúde da família e, de lá, do xadrez, dá as cartas: a mulher Raquel, aquela deputada que votou impeachment da presidente pedindo um país que tenha exemplos porquê “o prefeito de Montes Claros”, foi a uma reunião do PSB e impediu sua expulsão, no grito; ele, Rui Muniz, depois de despachar de dentro da cubículo, ordenou que os vereadores aprovassem uma licença de 60 dias, sem deixar ir adiante processo de cassação. Os vereadores disseram sim senhor. Em outra cidade importante de , dos 21 vereadores só 8 estão na Câmara; todos os outros foram afastados por roubalheira. Dos 9 vereadores de São Joaquim de Bicas, 6 continuam presos, por roubo.

Vejamos no projecto estadual. A calamidade financeira a que chegaram estados importantes porquê Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Aqui em , Aécio fez o estrago com o tal “choque de gestão” e Pimentel, sem moeda para remunerar salário de servidor, ainda tem de se preocupar com firulas porquê aumentar o número de guardas e ampliar a extensão de retraimento do povo do Palácio: pavor da polícia e do solene de Justiça. Quem aguenta isso?

Vamos para Brasília... Não, aí, é melhor parar. Depois do Maranhão, é melhor parar. E rezar! 

 

Fonte: Blog do Eduardo Costa - Últimas Notícias de -